1 – Membrana celular

      2 – Citoplasma

      3 – Membrana nuclear

      4 – Núcleo

      5 – Cromossomas

      6 – Genes

 

 

O número de cromossomas é especifico de cada espécie. O homem tem um número de cromossomas, o gato tem outro. Todos nós temos 23 pares de cromossomas. São diferentes uns dos outros. A sua finalidade é diferente de par para par. O 23º par é o que indica qual o sexo do indivíduo, chama-se genossoma. Os que são responsáveis pelas características do individuo (menos sexuais) chamam-se autossomas. São os outros todos.

Os cromossomas são constituídos por ADN.

 

 

                                         

          

 

- A célula mãe divide-se em 2 células filhas (23 pares de cromossomas), multiplica-se por 2 e depois divide-se por 2. É o processo de divisão celular em que a célula filha tem o mesmo número de cromossomas que a célula mãe. Chama-se a isto mitose . A mitose ocorre em todas as células. É a regeneração das células. Se não a tivermos, envelhecemos (se tivermos 8 anos, parece que temos 40).

- Há outra forma de divisão celular, 23 pares x 2:2:2. Chama-se meiose. É a divisão celular que ocorre quando se formam os óvulos e espermatozóides, em que estes têm metade do número de cromossomas das mães.

 

 

                                                              

 

 

Há espermatozóides 22 X e 22 Y. Se o óvulo se conjuga com o 22 Y é masculino, com o 22 X é feminino.

 

O que está contido nos cromossomas vai-se dividir da mesma maneira. Num par de cromossomas existem genes e cada um tem a sua característica: um é responsável pelo cabelo, outro pelos dentes, outro pelas orelhas.

 

Quando os genes são iguais chamam-se monozigóticos. Quando são diferentes chamam-se heterozigóticos. 

 

Um dos genes pode ter mais força do que o outro e ser ele que vai imprimir a sua característica na pessoa. Chama-se gene dominante.  Se tivermos um escuro e um claro, “ganha” o escuro porque é mais forte. O gene mais fraco chama-se recessivo e só se manifesta quando ambos os genes são iguais, gene claro (olhos, por exemplo) e outro gene claro.

 

Par alelomorfo              --->              Homozigóticos    (iguais)

                                      --->              Heterozigóticos   (diferentes)

 

 

 

             

                                           

 

 

 

 

Há doenças que são transmitiveis geneticamente.

 

O sangue de uma pessoa pode ser A, B, O, Ab.

O “O” é determinado por dois genes “O” (recessivo).

O “A” e “B” são dominantes.

 

 

 

Alguns genes podem ter a mesma penetrância. Têm a mesma força. É o que acontece ao AB.

 

Podem existir genes de uma determinada doença. A doença pode ser devido a um gene dominante ou recessivo.

 

 

Afecção do gene patológico dominante:

 

 

 

Afecção do gene patológico recessivo:

 

 

 

 

Causas de perturbação do desenvolvimento pré-natal:

 

I – A nível hereditário

II – Ocorrendo durante a gestação

III – Perinatais (à volta do nascimento, período de tempo)

 

I

Os problemas hereditários podem ser de dois tipos: perturbações metabólicas (oligofrenia fenilpirúvica) e cariopatias (Trissomia 21).

 

Dentro do nosso organismo existem constantemente alterações que mantêm a hereditariedade. Existem sempre transformações de substâncias numas nas outras e são por acção de enzimas, estas apenas transformam, não participam.

 

Quando as substâncias se vão acumulando no organismo, ele vai tornar-se tóxico com efeitos negativos.

 

Existem doenças que são devido a alterações bio-quimicas, mas há uma que é extremamente importante, porque provoca alterações no desenvolvimento do bebé, ela sendo hereditária consiste na ausência da enzima e chama-se fenilsetonoria ou oligo|frenia fenilpirúvica.

                                                                                              } - atraso mental

                                                pequeno                               } - debilidade   

                                                              espírito/mente        }    mental

O ácido fenilpirúdico vai-se acumulando porque há uma incapacidade e muita metabolização de fenilanina, por défice de uma enzima (finalalaninase). Este aminoácido existe em quase tudo aquilo que comemos. Se há falta de enzima, vai-se acumulando afenilalanina, mas esta torna-se tóxica. O bebé nasce saudável, só que aparentemente parece bem desenvolvido. Mas a certa altura vai-se notando um atraso, uma debilidade, sendo que começa a agravar-se = progressivo atraso mental.

 

Outra característica desta doença é a hipopigmentação. Estes bebés têm como características físicas: pele clara, cabelos loiros, olhos azuis.

 

Outras características:

-                     hipertonia muscular (músculos rígidos)

-                     hiperflexia (reflexos exagerados)

-                     ataxia (marcha descontrolada)

-                     cifose dorsal (corcunda)

-                     tremores (movimentos anormais, por vezes convulsivos)

-                     alterações do comportamento

-                     agitação e impulsividade

-                     esperança de vida muito curta (até 12, 13, 20 anos máx.)

-                     a capacidade de aprendizagem vai ser diminuída

 

Diagnóstico precoce: (todas as crianças ao nascer são submetidas a testes para ver se têm esta ou outras doenças.) Teste de despiste das dismetabolopatias, ou seja, o teste do pézinho.

     

doença da alteração do metabolismo.

 

Se tiver esta doença, o que fazer para melhorar este quadro:

Esta é uma doença hereditária de carácter recessivo, sendo que é necessário haver um gene que o pai tenha e a mãe também, para deste modo a criança poder-se manifestar. Os pais sãos não têm a doença, mas ambos são portadores.

Entra aqui a importância da consanguinidade, isto não é, o casamento de pessoas com o mesmo tipo de sangue, mas sim o casamento entre pessoas da mesma família. A consanguinidade aumenta o risco da doença porque há uma maior probabilidade de haver genes idênticos, por isso é que se diz que é mau os primos se casarem. Esta doença existe mais em sociedades fechadas, como comunidades ciganas, ilhas.

 

O bebé começa a alimentar-se e aquilo que come torna-se tóxico. Como forma de prevenir a doença, a criança para ter a evolução normal vai ter uma dieta, come uma determinada comida onde é retirada a fenilalanina. Se o diagnóstico for dado dos 3 aos 6 meses, pode-se conseguir resultados satisfatórios na sua evolução. A partir dessa idade já é difícil minimizar os efeitos.

 

Se por acaso existe probabilidade de haver um diagnóstico da doença dentro de uma família, faz o estudo genético da família e caso a mãe engravidar novamente, começa a fazer dieta nos meses em que está grávida de modo que o bebé não possa desenvolver a doença.

 

I.1

Cariopatias (doença dos cromossomas)

 

Alteração, perturbação no número, na forma de disposição dos cromossomas. Nome genérico de todas as alterações dos cromossomas. A doença mais frequente é a Trissomia 21.

 

 

I.2

Mongoloidismo: aquando da meiose, não ocorre a divisão celular como deve ser, há uma divisão anormal, porque há mais um elemento.

 

Mongoloidismo: características físicas ou somático

A principal característica são os olhos. Têm uma fenda palpebral (espaço entre a pálpebra inferior e superior) e estreita, com uma prega interior que se chama epicantos.

Têm baixa estatura; língua grossa; a esperança media de vida é de 30, 40 anos, porque são muito frequentes malformações cardíacas; as mãos são pequenas com dedos curtos e grossos, têm uma prega palmar que atravessa a mão de um lado ao outro, os dedos são expostos de uma forma radial.

Os sinais que caracterizam o mongolóide são sinais patognomónicos (epicantos e prega palmar).

Têm o abdómen saliente; o cabelo normalmente é fraco e pouco abundante; têm a fronte abaulada; têm outras malformações; têm miopia.

 

Do ponto de vista motor:

Têm uma hipotonia muscular; existe uma laxidez dos ligamentos e assim pode haver uma hiperflexão e hipertensão dos membros. Marcha pouco elegante, com menor agilidade devido à hipotonia muscular.

 

Do ponto de vista intelectual:

Têm uma debilidade profunda (só começa a andar com ou até 4 anos aprendem a falar tarde, alguns nem aprendem isso, e falam mal).

É fundamental numa criança mongolóide a estimulação precoce, para que a criança se desenvolva.

O mongolóide é capaz de aprender algo rotineiro e repetitivo. Não é capaz de fazer algo que lhe aparece à frente pela primeira vez. Desde que ele seja bem acompanhado, gosta de aprender.

São meigos e carinhosos.

 

Desenvolvimento afectivo e emocional:

Gostam de música, acompanham com palmas; são muito carinhosos, alegres e meigos.

Habitualmente não são agressivos, mas quando tomam consciência das suas incapacidades, dão-lhes ataques de fúria; se têm a noção que estão a ser gozados por alguém, podem-se tornar violentos; são muito sensíveis.

 

Do ponto de vista social:

São prestáveis, colaborantes, dóceis.

 

 

 

Qualquer anomalia que surja nos 3 primeiros meses é muito má porque é nesse tempo que se formam os órgãos.

Durante a gravidez, a mãe pode adoecer. Mas a gravidade das doenças da mãe é diferente para o bebé. Pode ter doenças que sejam graves para a mãe e não para o bebé, e pode ter doenças que não sejam graves para a mãe, mas graves para o bebé. A gravidade da doença no bebé é diferente.

As doenças infecciosas são de 3 tipos: vírus, bactérias e os fungos. Os vírus são os mais graves para o bebé.

A mais prejudicial é a rubéola. Pode causar num bebé uma deficiência mental, pode nascer cego, surdo, com epilepsia, com tudo isto ao mesmo tempo, malformações cardíacas.

Durante a gravidez a mãe não deve entrar em contacto com pessoas doentes.

Se a mãe está infectada com o vírus da SIDA , há uma forte possibilidade de o bebé ter também o vírus. Se a criança nasce com SIDA, os problemas são os mesmos que o adulto: surgem muitas infecções e a pessoa não tem defesas para ela.

Nas doenças bacterianas, o que tem gravidade são as transmissíveis, como a sífilis.

 

Exposição a radiações: o raio x ou outras radiações podem ser extremamente graves para o bebé. As malformações devido a isso, podem ser de vários tipos: nos órgãos internos ou externos, malformações cardíacas, cariopatias (síndroma de Down), lábio leporino.

 

Outro problema na gestação é a incompatibilidade sanguínea (factor RH no sangue):

Se a mãe é RH+, o bebé nunca tem problemas. Se é RH-, podem existir problemas, e também se os filhos forem filhos de um pai RH+. Isto porque, na primeira gravidez, o sangue RH- na presença do RH+ fabrica anticorpos anti RH. Esses anticorpos na primeira gestação não são suficientes para provocar danos no bebé. Mas na 2ª gestação esses anticorpos já poderão provocar alterações, como a diminuição dos globulos vermelhos. A destruição chama-se hemólise. O bebé fica com anemia (que pode levar à morte) e icteria.

 

→Durante a gravidez, a alimentação da mãe deve ser cuidada. Não tem que comer muito, mas bem: proteínas (carne, peixe, leite, ovos); gorduras e líquidos em moderação; glicidos (açúcar, feijão, arroz, com moderação); vitaminas e sais minerais (olhos, peles, mucosas), hortaliças, peixe, cenouras, leite.

 

 

Vitamina A → olhos, pele, hortaliças, cenoura, peixe.

             D → leite

Vitamina C → alimentos frescos

              B → cereais

 

A mãe deve comer de tudo, ter alimentação equilibrada. É importante também que a mãe tenha uma gravidez calma. Uma gravidez perturbada reflecte-se no bebé. Quando há um estado emocional grande (descarga de adrenalina), também se reflecte na criança.

 

 

Consumo de drogas:

 

Temos de considerar vários tipos de drogas. São consumidas para ter um efeito especial no corpo, mas sem efeito terapêutico (aspirina é terapêutico).

→ A mais generalizada é o tabaco. Durante a gravidez a mãe deve evitar fumar. Se fumar, faz uma vasoconstrição (faz com que os vasos sanguíneos fiquem apertados e chega menos sangue ao bebé).

 

→ O álcool é a droga mais prejudicial. A mãe deve-se abster de bebidas alcoólicas durante a gravidez. O álcool depois é “dado” ao filho pelo leite.

 

→ Há muitos medicamentos que podem ser graves para o bebé na formação dos órgãos (principalmente a talidomida, um tranquilizante que faz muito mal. Nos anos 45 havia poucos tranquilizantes e este mostrou-se eficaz. Era utilizado indiscriminadamente, até por grávidas. Ao fim de uns anos começam a surgir nascimentos de crianças sem membros, nasciam sem braços e sem pernas, na coxa é que nasciam as mãos e os pés).

Sempre que há um medicamento novo no mercado, é um risco. A mãe não deve tomar medicamento nenhum.

 

→ Durante o período peri-natal (à volta do nascimento): podemos nascer por um parto normal (eutócito), a ferros (forceps), e cesariana.

 

O bebé pode nascer em 2 posições:

O bebé pode ter várias apresentações (parte do corpo que sai em 1ª lugar):

 

Cefálica (sai 1º a cabeça): → vértice (quando sai primeiro o cocuruto da cabeça)

                                              face (quando sai primeiro a cabeça)

 

Pélvica (sai 1º as pernas): → nádegas (sai o rabo primeiro)

                                           pés (sai com os pés primeiro)

 

O bebé pode nascer antes do tempo (prematuridade). Pode necessitar de ir para uma encubadora, onde é alimentado através de soro e sondas. Pode não estar completamente desenvolvido. Nasce com pouco peso e os riscos de não sobreviver são tanto maiores como o pouco peso.

Em relação à postmaturidade: a placenta cumpre o seu tempo de vida e desfaz-se. O sangue deixa de ser purificado. Pode-se dar a falta de oxigénio no sangue (anóxia). O bebé fica com uma cor arroxeada (cianose). As células que são mais sensíveis com a anóxia são as cerebrais, ou seja, pode haver consequências a nível cerebral: → alterações a nível intelectual

                                              → convulsões

                                              → alterações neurológicas (*)

Podem existir em conjunto ou uma só.

 

(*) a anóxia pode dar também lesões musculares

                                                                   

                                      Paralisias                  Parósias

                              (imobilização total         (diminuição dos

                                 do músculo)                  movimentos)

                                                         

                                                            

       

                                Podem atingir um músculo ou um

                               grupo de músculos (a perna toda,

                               a cara, ou os 2, quando é um grupo

                              grande pode atingir o lado esq. ou dir.)

                                                          

 

 

 

                                     Hemiplegia (total) hemiplégico

                                     Hemiparésia (parcial) hamiparésico

 

 

 

Membros inferiores → paraplegia (total) – paraplégico

                                → paraparésia (parcial) – paraparésico

                ou

Membros superiores

     e inferiores           → tetraplegia (total) - tetraplégico

                                  → tetraparésia (parcial) – tetraparésico

 

 

Finalmente, o bebé nasce. Passa de um meio com liquido, para um meio com ar. Passa de um estado de dependência para um estado de autonomia. Em poucos segundos tem que se adaptar a um meio completamente diferente. Ele tinha uma respiração anaeróbia e passa para uma aeróbia.

 

Mecanismos de adaptação do recém-nascido:

1-    adaptação à respiração                      em

2-                       temperatura →            segundos    

3-                       ingestão                     

4-                      “ excreção

 

Recém-nascidos em condições precárias:

morte aparente

sinais de perigo:

1 – coloração cianosada persistente ou palidez acentuada.

2 – menos de 100 pulsações cardíacas por minuto. Normal 140/min.

3 – respiração espontânea ausente durante mais de 1 mim, respiração anormal ou obstrução respiratória

4 – flacidez muscular

5 – ausência de reflexos

 

 

Método de registo de Virginia Apgar

Índice de Apgar:

 

Sinal

0

1

2

Frequência

Cardíaca

Ausente

Bradicardia

(abaixo de 100)

Para cima de 100

Respiração

Ausente

(apneia)

Bradipneia ou respiração irregula

Bom choro,

resp. regular

Tónus

Muscular

Atonia

Certa flexão das extremidades

Movimentos activos

Irritabilidade reflexa por uma sonda ou cateter no nariz

 

N há resposta

 

Esgor (careta)

 

Tosse ou espirro

 

Cor

Azul – roxo

Palidez

Corpo rosado, extremidades azuis

Completamente

Rosado

                                   0 – 10                     8 – 10                 5 – 7         

 

 

Abaixo de 5 → muito mau

5 – 7 → suficiente mas não muito bom

Acima de 8 → muito bom

 

Este teste faz-se logo ao nascer no 1º min de vida.

 

→ Um recém-nascido pode ser um bebé que acabou de nascer até à quebra do cordão umbilical (10 dias), ou durante as duas primeiras semanas de vida.

Características: → ser desprotegido

                          → não autónomo

                          → incapacitado de sobrevivência sem auxilio exterior

 

Aspecto Físico:

 

Peso = 3,500 – 3,750 kg masc.

                  3,250 – 3,500 kg fem.

      

Altura = 50 – 52 cm masc.

                  48 – 50 cm fem.

 

Aspecto físico do recém nascido:

 

Perímetro craniano = 35 cm

 

A cabeça é ¼ do total do corpo no bebé, enquanto que no adulto é 1/7 ou 1/8.

 

No crânio dos recém-nascidos os ossos ainda vão crescer, ainda há substância óssea que se vai depositar. Esses espaços entre os ossos do crânio chamam-se fontanelas. (Desenvolvido mais à frente)

 

                     1- Occipital

                        2- Fontanela posterior

                        3- Parietal esquerdo

                        4- Parietal direito

                        5- Fontanela anterior

                        6- Frontal

 

 

- A cabeça vem deformada, pois passa por um “tubo” muito mais estreito que a cabeça;

- O pescoço é quase inexistente, tem pregas;

- Pele enrugada, com manchas, às vezes com equimoses (manchinhas negras;)

- Nascem com uma penugem nos ombros e costas;

- O abdómen é saliente

- Nascem com os olhos azuis (a iris ainda não tem pigmentação. Demora 4 a 5 meses a tomar a cor definitiva); quando choram não deitam lágrimas porque ainda não está desenvolvido o aparelho lacrimal; ainda não coordenam os movimentos oculares.

 

Quanto ao desenvolvimento motor:

 

Um recém nascido não tem motricidade voluntária. Ele mexe as pernas e os braços, mas são movimentos sem finalidade, anárquicos. Tem movimentos reflexos (movimento de resposta a um estímulo, nos olhos quando há muita luz, estimulação da palma da mão, quando pomos lá o dedo ele fecha-a), por exemplo, perda de equilíbrio. Se lhe fizermos uma sensação de desequilíbrio, ele faz o Reflexo de Moro, mas são movimentos involuntários.

 

Aspectos sensoriais:

 

A visão do bebé ao nascer ainda não está perfeita porque há um orgão no globo ocular que ainda não está completamente formado, é o cristalino. Os olhos não fazem a focagem, se os objectos estiverem a 25 cm ela consegue ver.

O recém nascido ainda não coordena os movimentos oculares: um olho pode olhar para um lado e o outro para outro.

Acomodação: capacidade que o cristalino tem de alterar a sua curvatura de modo a que as imagens dos objectos se foquem na retina.

 

Audição:

O bebé já ouve na vida intra-uterina. Há sons que se tornam familiares ao bebé. Quando nascem já ouvem.

Tacto:

Sente através da pele, reconhece de uma maneira agradável as texturas macias. Distingue o áspero do macio, o duro do mole.

Paladar:

Se pusermos sal na boca do bebé ele chora, sabe-lhe mal. Mas se pusermos algo doce, ele gosta, consegue distinguir.

Olfacto:

Está também desenvolvido. Se lhe pusermos uma fralda suja, ele franze o nariz.

Sentido álgico:

É o sentido de dor, está bem desenvolvido no bebé. Se lhe picarmos com um alfinete, ele chora. Chama-se dor superficial. As cólicas são dores internas, chama-se sentido cenestésico (tudo que seja dor interna), chora quando tem fome. Este sentido está perfeitamente desenvolvido. O sentido que nos dá a alteração de tempestade é o sentido térmico.

O sentido bárico é o que permite ao indivíduo distinguir o leve do pesado.

O sentido da noção de como está o nosso corpo (se virado para a frente, ao contrário.....) chama-se próprio ceptivo (estático).

O sentido quinestésico, se olharmos, sabemos que estamos a mexer as mãos ou as pernas, ou a virar a cabeça (dinâmico).  

 

Socialmente, o recém nascido ainda não desenvolveu competências sociais. Socialização é a capacidade que o indivíduo tem de se comportar perante determinadas normas. Ele não sabe as normas, mas também não podemos dizer que vai contra as normas. Não é um ser anti-social, mas sim um ser associal, está no nível 0. Mas ao fim de muito pouco tempo vamos encontrar um bebé a mostrar agrado à presença humana. Entra também aqui a afectividade que estabelece com a pessoa que dele cuida.

É muito importante a relação precoce entre a mãe e o bebé, é muito importante no futuro.

A alimentação também influencia o bebé, gosta mais de quem lhe dá de comer. A amamentação é muito importante, tem mais vantagens que a alimentação artificial.

Nos dias de hoje considera-se que há vantagens muito significativas na alimentação natural:

- qualidade do leite (é mais adequado em principio);

- implica uma relação mais estreita com a mãe;

- os leites artificiais provocam mais frequentemente alergias, o natural digere-se melhor e é veículo transmissor de anticorpos (a fabricação de anticorpos no bebé começa a fabricar-se a partir dos 3 meses, nos primeiros meses não está desenvolvido, o bebé não tem defesas contra as infecções);

Os leites artificiais podem ser necessários nalguns casos, há várias situações em que a mãe pode não amamentar o bebé: pode estar com uma doença infecciosa; a mãe pode ter uma medicação que não possa ser suspensa e que seja veiculada no leite do bebé; o leite materno pode ser fraco e não suficiente para as necessidades do bebé.

 

Condições psicológicas em que pode decorrer uma alimentação artificial:

 

Quando é necessário alimentação artificial, a mãe não se deve sentir culpabilizada, não tem culpa de estar doente..... deve ser sempre ela a dar a alimentação: deve pegar o bebé ao colo, falar com ele e acariciá-lo. Não deve dar o biberon com ele deitado no berço.

 

Vida do bebé no primeiro ano de vida (até um ano de idade):

 

Há um desenvolvimento muito grande, rápido, aumenta o peso muito rapidamente, mais ou menos 600 gr por mês no 1º semestre, no 2º semestre aumenta 500 gr por mês.

 

1º semestre → P. Previsto = P. Nascer + 600 gr M

2º semestre → P. Previsto = P. Nascer + 500 gr M

 

Altura:

 

No 1º semestre aumenta 2 a 2,5 cm por mês. No 2º semestre aumenta 1 a 1,5 cm por mês.

 

 

Perímetro craniano:

 

Está relacionado com a altura.

Metade da altura + 10 cm

Pc= Altura  + 10 cm

           2

 

Pode aumentar à custa das fontanelas, sobretudo da fontanela anterior.

Depois ela (fontanela anterior) vai diminuir as suas dimensões. Encerramento : 12 a 18 meses (não antes).

É importante não fechar antes porque o cérebro e os seus constituintes vão-se desenvolvendo. O cérebro tem de ter espaço para se desenvolver. Caso feche, pode causar atraso mental.

Se as fontanelas encerrarem, o crânio não aumenta de tamanho. A fontanela posterior encerra na 3ª semana de vida, tem pouco significado. A anterior encerra entre os 12 e os 18 meses. Todo o encéfalo aumenta também. Se a fontanela fechar, fica a cabeça pequena Chama-se Microcefalia.

 

Dentição:

 

Permite uma mudança nos hábitos alimentares, trás um sofrimento grande à criança. O primeiro dente nasce aos 6 meses.

A diferença entre a primeira e a segunda dentição, os primeiros dentes não têm raiz, na segunda dentição têm. Na criança existem 20 dentes (não têm molares), os adultos têm 32. Na criança e adulto são 8 incisivos, 4 caninos e 8 pré-molades. Na segunda dentição há estes mais 12 molares. Desses 12, os 4 últimos a nascer, nascem na idade adulta.

Em média, nasce um dente por mês.

 

Incisivos medianos: 6º ao 9º mês.

Incisivos laterais: 10º ao 11º mês.

Primeiros pré-molares: 14º ao 17º mês.

Caninos: 18º ao 24º mês.

Segundos pré-molares: 24º ao 30º mês.

 

Motricidade:

 

O bebé não tem tónus muscular. Por isso ele está deitado (decúbito). Decúbito lateral (se o deitarmos de lado), decúbito dorsal (de barriga para cima), ou decúbito ventral (barriga para baixo).

 

Até aos 2 meses (estando em decúbito ventral) levanta a cabeça, depois o tórax (ligeiramente), depois vai levantando o angulo. Aos 3 meses, apoiado nos cotovelos, levanta o tórax.

 

Começa a ser capaz de mudar a sua posição deitado no berço:

Aos 2 meses – decúbito lateral para dorsal

Aos 4 meses – decúbito dorsal para lateral

Aos 6 meses – decúbito lateral para ventral

Aos 7,8 meses – dá a volta completa

 

Durante o primeiro ano de vida, o bebé vai passar de uma posição horizontal para passar a se sentar e a começar a andar.

 

A primeira lei do desenvolvimento (lei céfalo-caudal) diz-nos que o desenvolvimento é feito de cima para baixo.

 

3 meses – controlo da coluna cervical, sustenta a cabeça. Aumenta o espaço que o bebé pode abarcar.

4 meses – controlo progressivo da coluna

                Dorsal – mantém-se sentado ao colo

5 meses – mantém-se sentado encostado

6 mesesmantém-se sentado sem apoio

7 meses – rasteja, arrasta-se sentado

8 mesessustenta-se sozinho, gatinha

9 meses – põe-se em pé agarrado

10 meses – anda de lado, agarrado

11 mesesanda agarrado

12 meses – equilibra-se

13 meses – a partir daqui, anda livremente, sem ser agarrado.

 

 

Motricidade fina:

 

Movimentos da mão (pequenos), mais delicados. Estes movimentos do ombro, braço, antebraço, mão e dedos, seguem a lei próximo-distal que nos diz que o desenvolvimento se processa de dentro para fora.

 

A visão é muito importante. Tem de haver uma coordenação motora.

Condições prévias:

Até aos 2 meses – acomodação do cristalino

Até aos 3 meses – coordenação, conjugação dos movimentos oculares. A partir daqui começa a querer agarrar nos objectos.

4 meses – inicio de coordenação óculo-normal. Aponta.

5 meses – toca.

5 meses e meio – agarra mas não usa o polegar. Agarra-os com a palma da mão. Chama-se preensão palmar.

8 meses – Oponência do polegar, vai permitir movimentos finos.

9 meses – agarra objectos grandes, exemplo biberon.

10 meses – agarra objectos pequenos, exemplo colher.

11 meses – imitação

12 meses – quer comer com colher, segurar nos lápis, abre e fecha uma caixa, põe e tira o chapéu na cabeça.

Vagidos – primeiros sons que emite nos primeiros 3 meses.

 

Quando o bebé nasce, não fala. A primeira palavra pode surgir por volta dos 10 meses. Aos 12 meses pode dizer duas ou três palavras. O bebé passa o seu primeiro ano de vida sem falar, mas é capaz de comunicar: (por esta ordem)  chorando (logo ao nascer), gestos , sorriso e riso. Estas formas que ele tem de comunicar sem ser falar chamam-se formas pré-verbais de comunicação.

O choro surge nos primeiros segundos de vida e é uma forma indiferenciada, chora por várias razões. Chora porque tem fome, sede, frio, calor, está assado, porque tem sono. Estas manifestações revelam mau estar físico. Choram também por razões psicológicas: porque quer colo, afecto, porque está sozinho. Existem razões de ordem física e psicológica .

O choro é diferente perante os significados. A forma como ele chora não é sempre a mesma.

 

O que devemos fazer quando ele chora? Devemos descobrir a razão, porque ele chora; devemos tentar eliminá-la ou tentar que a criança o possa suportar; depois temos de saber “temperar” as coisas: quando ele chora não se deve ir a correr tirar do berço. Devemos ir falando com ele para ele se ir habituando a esperar.

Eles aprendem se são ou não atendidos quando choram. Um bebé que é prontamente atendido, fala-se com ele, chora menos vezes.

O choro é uma comunicação se permanece pela vida fora. Diminui quando ele começa a falar.

 

O gesto é uma forma de comunicação muito precoce. O gesto de recusa de alimento é uma coisa que acontece nos primeiros dias de vida. Já ai existe esse gesto.

O outro gesto é, com a língua faz força e empurra o biberon.

Há gestos de recusa com os pés, um impulso com os dois pés ao mesmo tempo, ou estender os braços, são gestos de aceitação ou chamamento. Existem mais na segunda infância.

Utilizamos o gesto como reforço da linguagem. Existem gestos de recusa e de aceitação.

Só ira haver uma contenção do gesto na terceira infância devido a uma acção pedagógica do adulto. Exemplo: não se aponta que é feio; não se faz gestos quando se come.

 

A terceira forma pré-verbal de comunicação é o sorriso. Não encontramos um sorriso consciente antes dos 2, 3 meses de idade. Durante os 2 primeiros meses de vida, ela sorri mas não se trata de uma forma de comunicação. Pode sorrir até a dormir. Este sorriso não é forma pré-verbal de comunicação. Não está a querer comunicar.

Os primeiros sorrisos designam-se por sorrisos-resposta ao rosto humano, à face das pessoas. Significa que a criança começa a reconhecer a face humana, aos 2 meses. O que ele distingue primeiro são os olhos. Distingue o rosto humano se ele se apresentar  de frente.

A criança sorri a qualquer rosto humano nesta fase, ou humanóide (qualquer coisa que pareça humana) não distingue bem o rosto humano de outros rostos. É um sorriso indiferenciado.

 

Aos 3 meses de idade dá-se uma modificação: começa a reconhecer o rosto da mãe, um sorriso resposta dirigido aos rosto materno. Nota-se diferença entre o sorriso para a mãe e para outras pessoas.

 

Aos  4 meses a criança é capaz de rir, dar pequenas gargalhadas. O riso vai também sofrer uma influencia cultural (riso contido).

 

No primeiro ano, os bebés emitem vagidos.

A partir dos 3 meses emitem sons que são vogais prolongadas. Chama-se lalação.

A partir dos 6 meses começam a surgir consoantes e vogais de uma forma ritmada. Chama-se palrar.  Não é uma forma pré-verbal de comunicação, está a brincar com a voz, é uma forma lúdica. Ele palra mais quando está sozinho.

O palrar é importante para  linguagem, é um treino para a futura linguagem, está a exercitar um aparelho que lhe vais servir para a futura linguagem.

 

O bebé descobre a mão aos 4, 5 meses. Põe a mão na boca, ...

Aos 6, 7 meses descobre o pé, leva o pé á boca, chucha os dedos do pé.

 

No fim do primeiro ano de vida descobre os órgãos sexuais.

 

O que orienta o bebé na relação afectiva é o relacionamento com a mãe, no primeiro ano de vida. A mãe pode não ser a mãe biológica, se não for, não há para a criança uma diferença.

Inicialmente, um bebé não tem capacidade de ressentir emoções como a inveja, medo. Nos primeiros anos de vida, há uma oscilação entre duas situações opostas: o bebé sente-se bem (não tem fome, não tem calor, não tem frio) ou não está bem (tem dores, não se sente acarinhado). O bebé oscila entre dois pólos: o polo de prazer , e o polo de desprazer. Inicialmente, as emoções são uma amalgama confusa.

Ao longo das semanas, do pólo de prazer vão-se destacando emoções agradáveis: amor, carinho, ternura, alegria, curiosidade, interesse. Opostamente, do pólo de desprazer, destacam-se emoções de cariz negativo: medo, cólera, hira, raiva, mais tarde o ciúme, a tristeza, a frustração.

Primeiro as coisas estão misturadas; há medida que o tempo vai passando, vão-se clarificando.

A mãe serve de mediadora entre a criança e o exterior. É através da mãe e da forma como ela se relaciona com o bebé, que este vai tomando consciência da forma de como o mundo o rodeia, e ela vai organizando uma imagem da mãe, se é boa ou má mãe, sem razão de ser.

A mãe é influenciada pelo comportamento do bebé: se o bebé não dormir bem de noite, a mãe fica ansiosa, inquieta, com dúvidas.

A relação entre a mãe e o bebé chama-se relação precoce.

O par constituído pela mãe e pelo bebé chama-se díade. É uma dupla inter-actuante. A mãe tem uma acção sobre o bebé, e o bebé sobre a mãe.

 

Quando o bebé está no pólo do prazer, a pouco e pouco destacam-se emoções, amor, carinho e ternura, face à mãe; ao mesmo tempo organiza-se a alegria que é despertada ao ver a mãe.

 

O sorriso não é uma emoção, é a tradução de uma emoção.

Com poucas horas de vida, podemos encontrar uma reacção se susto, o bebé pode-se assustar (que traduz para sono) por um estímulo brusco (uma porta que bate, persiana que abre de repente e vê-se luz, sensação de desequilibro, ...)

 

No primeiro ano de vida, o bebé tem medo de ruído, movimentos bruscos, de bonecos de corda.

 

Outra emoção frequente é a raiva. O que a despoleta são todos os estímulos desagradáveis, principalmente mau estar físico. Também pode surgir cólera ligada a aspectos psíquicos, pela solidão.

A frustração é algo que pode surgir muito precocemente também. É um estado emocional que surge quando algo se esperava alcançar, não é conseguido. Um bebé, ao mamar no biberon, o leite acaba e ele ainda tem fome. Uma emoção de cariz positivo precoce é a curiosidade. Interessa-se por tudo o que vê, à medida que se vai dando a maturação da visão, vai aumentando a curiosidade. A partir dos 3 meses, o bebé vai-se mostrando curioso. O que ele aprende no primeiro ano de vida é avassalador: há um somatório de ideias juntas.

Uma emoção que não é própria do primeiro ano de vida, mas que pode surgir no fim, é o ciúme. Não são habituais, mas às vezes, por volta dos 10, 11 meses, podemos ver ciúmes quando outro bebé vê outro bebé ao colo da mãe.

 

 

Desenvolvimento social:

 

Podemos definir socialização como a capacidade que o indivíduo tem de acordo com determinadas normas. Quando nasce, não tem capacidade de se comportar de acordo com tais normas, e a sua socialização vai depender da aquisição de tais normas.

Esta aquisição vai:

-         depender de experiências de aprendizagem;

-         oportunidades que lhe sejam dadas, de socializar-se;

-         motivação para aproveitar essas oportunidades;

-         orientação dada pelos pais, familiares, educadores...

 

Um recém-nascido ainda não tem sentido gregário, não aspira à companhia, basta-lhe o afecto básico da mãe, precisa de carinho.

Aos 3 meses de idade, ele já gosta de companhia, alegra-se quando vê pessoas.

Aos 4 meses, já distingue pessoas de objectos.

Aos 5 meses, são muito claras as manifestações de alegria quando as pessoas brincam com ele.

Aos 6 meses, assistimos a uma modificação do comportamento do bebé: ele deixa de ter um comportamento passivo, para passar a ter um activo. Até aos 6 meses, esperava que os outros inter-agissem com ele. A partir dos 6 meses, começa a ter uma atitude provocadora, chama a atenção de outras pessoas (puxa os cabelos, os brincos...).

Aos 9 meses ele vai imitar, e a pouco e pouco vai reproduzindo aquilo que vê (faz os mesmos gestos).

Entre os 9 e 12 meses, tem por vezes uma fase de estranheza, é também designada pela angústia dos 9 meses. Quando a criança está ao colo da mãe e se aproxima alguém que ela não conhece, ela começa a chorar. Isto acontece porque, nesta altura a criança já reconhece a mãe na sua totalidade, e tem medo de a perder. Quando uma pessoa se aproxima e ela não conhece, ela tem medo que a possa separar ou roubar a mãe

A partir desta idade, existe dificuldade das crianças aceitarem mudança de mãe (adopção).

Aos 12 meses, a criança vai aceitar um “Não” dito pela mãe. Vai obedecer às normas de uma forma ligeira.

 

Desenvolvimento intelectual:

 

Piaget era psicólogo suíço: trabalhou, sobretudo, o desenvolvimento da inteligência.

Para Piaget, a inteligência é um comportamento adoptativo. Adaptação, podemos dizer que é a capacidade de se reagir perante novas situações. Complementarmente à adaptação, há dois processos: assimilação(1) e acomodação (2): 

(1) Incorporação de novos elementos.

(2) Organização do que foi assimilado (é preciso que as coisas sofram um processo lógico de compreensão).

 

Ele considerou também que na criança o desenvolvimento evolui por fases, são constantes na sua seriação (a ordenação é sempre a mesma) e a sua duração é mais ou menos constante, embora possa ser variável dentro de certos limites.

 

Fase I ou

1 Período das operações sensório-motoras                                     0 - 2 anos

 

Fase II – Preparação e organização de Inteligência operatória

2 Período préoperatório

                sub-periodo préconceptual                                               2 - 4 anos

                sub-periodo conceptual                                                    4 - 6 anos

 

3 Período das operações concretas                                6 - 7     10  - 11 anos

 

Fase III Operações formais ou

4 Período das operações formais                                                             12→

 

 

Na fase I há uma articulação entre a actividade sensorial e a actividade motora. Neste período encontramos uma divisão em estádios, que são 6: os primeiros 4 correspondem mais ou menos ao primeiro ano de vida, os outros 2 ao segundo ano de vida.

 

O 1º estádio ocupa o primeiro mês de vida, e o que encontramos aqui no bebé é uma actividade de reflexo. São respostas a estímulos, actividades involuntárias. (Quando sopramos para os olhos ele pestaneja.)

 

O 2º estádio vai de 1 até 4 meses de idade; encontramos uma coordenação entre reflexos e reacções, começa a reagir de uma maneira deliberada. Há um estimulo e uma resposta voluntária. Piaget designou como reacção circular primária. (Quando fazemos barulho com o boneco ele procura o barulho.)

 

O 3º estádio desenvolve-se entre os 3, 4 meses, e os 7, 8 meses. O bebé já tem capacidade de repetir intencionalmente certas intenções, chama-se reacção circular secundária. Se ele estiver ao pé de um sino e este tocar, ele depois vai lá com a mão e toca de novo. Neste estádio há um interesse cada vez maior por tudo o que o rodeia. Nesta fase, as coisas visiveis são importantes para a criança. Se deixam de ser visiveis, deixam de ser importantes. Ex: se ela está a brincar com um brinquedo e o deixa cair, não o vai procurar.

A criança não guarda conhecimento, se não daquilo que é observável. Inexistência do objecto não visível.

O 4º estádio vai dos 7-8, 10-11 meses: a criança torna-se mais curiosa, mais activa. Age sobre o meio, modificando-o. Procura saber, conhecer, explorar. Os objectos passam a existir, mesmo sem serem vistos. Chama-se a permanência do objecto não visível. Se tivermos um brinquedo e o pusermos debaixo de uma almofada, ele vai buscar. Se o pusermos debaixo de uma outra ao lado, ele volta à primeira almofada. Os objectos, para ele, ainda estão ligados a um local determinado.

 

No 5ª estádio (10-12, 15-18 meses), já consegue procurar o brinquedo na segunda almofada, mas é preciso ele ver, se não vai continuar a ir ver a primeira almofada. Há uma compreensão das deslocações quando observadas. Este estádio é caracterizado por aquilo que se designa de experimentação activa. Ele atira o boneco ao chão muitas vezes para ver o que lhe acontece. Atira o boneco de várias maneiras. Nesta fase, começa a haver resolução de situações problemáticas através da descoberta ocasional. Imaginamos que ela está dentro do parque, atira o boneco para fora, ele fica em cima do tapete, alguém passa e ela vê o tapete a mexer, (ela precisa de uma pista) depois ela puxa o tapete e apanha o boneco.

 

No 6º estádio (15-18, 20-24 meses), há uma resolução de situações problemáticas através de esquemas que ele próprio organiza. Se o bebé tiver um brinquedo fora do parque e o quiser trazer para ele, o bebé pode pegar num boneco, aumentar o tamanho do braço, e conseguir lá chegar.

No estágio anterior ele precisava de uma pista, neste já consegue fazer sozinho.

Se escondermos o boneco debaixo da segunda almofada, sem ele ter visto, primeiro vai à primeira almofada, e depois vai à segunda, significa que o objecto já não está ligado a um local. O objecto passa a ser, independentemente do sítio onde se encontra. Chama-se representação total do objecto.

 

 

A partir dos 12 meses……

 

Evoluçao física da criança:

A evolução é mais lenta do que ni 1º ano. Quando tem 12 meses, triplica o peso ao nascer. Tem de peso 10,5kg (+ ou -), altura 75 cm.

 

1º Parâmetro – P = 2 x nº anos + 8 (kg)

2º Parâmetro – Altura = 5 x nº anos + 80 (cm)

3º Pârametro – Dentição

 

 

Desenvolvimento Motor:

Quando avaliamos a motricidade da criança a partir dos 12 meses, temos de analisar 3 items: motricidade global, motricidade fina e lateralização. Motricidade global são todos os movimentos amplos, excluimos movimentos finos de mão. Ex: andar, correr, saltar, subir e descer escadas, dançar, jogar à bola………

Motricidade fina refere-se exclusivamente aos movimentos da mão, com os dedos: escrever, costurar, dobrar, cortar, entrelaçar, desfiar…….

Lateralização é a escolha de entre os nossos orgãos pares, qual aquele que domina sobre o outro. Predominio de um orgão par sobre o seu homólogo: predominio da mão direita sobre a esquerda, ou a esquerda sobre a direita; predominio do pé esquerdo sobre o pé direito, ou vice-versa.

 

 

Motricidade Global:

 

13 meses: marcha livre, depois aperfeiçoa-se…… abre muito as pernas para andar.

18 meses: correr (aperfeiçoamento), ainda abre um pouco as pernas, quedas frequentes.

24 meses: dá pequenos saltos, saltita a pés juntos.

                                       

                            Evolução do Salto: - 2 anos → pés juntos

                                                             - 3 anos → pé à frente

                                                             - 4 anos → obstáculo (em cima)

      - 5 anos → com preparação

 

3ª infância – 6 anos → em corrida

 

18 – 24 meses → subir escadas (degrau em degrau)

24 – 30 meses → descer escadas (degrau em degrau)

(2; 2,5 anos)

30 – 36 meses → subir escadas

(2,5; 3)

3; 3,5 anos → marcha (báscula)

 

 

Motricidade Fina:

 

12 meses → agarra lápis, tira e põe o chapéu, usa pente

2 anos → abre caixas, desfolheia, encaixa, faz rabiscos

3 anos → aperfeiçoamento dos movimentos finos. Inicio do desenho (cópia da figura geométrica, desenho da figura humana)

4 anos → letras maiúsculas de Imprensa

5 anos → começa a escrever números (escrita em espelho. Tema ver com uma deficiente organização das estruturas espaciais) e inversões, cópia maiúsculas, o seu nome.

6 anos → cópia letras maiúsculas, minúsculas e números. Começa a diminuir as inversões.

4, 6 anos → rasga, folheia, pica, corta, enfia, pinta, entrelaça.

 

 

Lateralização:

 

Como se estabelece a lateralização?

Há uma parte que tem um papel principal, e a outra de ajudante.

Aos 5, 5.5 meses começa a preensão palmar, aos 8 meses a oponência do polegar.

Admite-se que a mão que começa na preensão palmar vai ser a dominante.

Mais tarde, quando começa a brincar com caixas, lego, começa a utilizar indiferentemente as 2 mãos (ou escolhe uma, ou escolhe outra). É universal, todas as crianças passam por esta situação, chama-se ambidextrismo fosiológico universal (desde que nasce até aos 5 anos). A maior parte das crianças têm a lateralização definida até aos 5 anos.

A lateralização ocular (quando é necessário utitlizar uma visão monocular) define-se aos 5 ou 6 anos e a pedal dos 6 ou 7 anos. A lateralização ocular é o jeito que nos dá utilizar um olho, não é ver melhor. 

Encontramos duas situações diferentes: há pessoas em que o lado dominante é o olho direito, mão direita, pé direito, ou pessoas em que o lado dominante é o olho esquerdo, a mão esquerda, o pé esquerdo. É homogénea.

E há pessoas que têm dominante o olho direito, mão direita, e pé esquerdo; ou olho direito, mão esquerda, pé direito. São heterogéneas.

 

A pessoa que utiliza a mão esquerda é sinistra, esquerdina. A que utiliza a mão direita é dextra. As que utilizam ambas as mãos, chamam-se ambi-dextras.

Se a criança continua a usar as duas mãos desajeitadamente até aos 6 anos sem fazer a opção, não está lateralizada, diz-se que tem uma insuficiente lateralização. Pode acontecer que, quando a criança se está a lateralizar, tenha uma tendência para a esquerda, e as pessoas dizem que ela tem de usar a direita, chama-se canhotismo contrariado. Podre acontecer que o individuo passou os prazos de se ter lateralizado, chegou aos 10 anos e ainda não fez a sua escolha, mas este tornou-se muito habilidoso com a direita e esquerda, chama-se ambidextrismo verdadeiro. Ultrapassou as fazes de laterização, mas aperfeiçuou as duas.

 

 

 

 

PSICOLOGIA EDUCACIONAL II

 

 

3 parâmetros para analisar o desenvolvimento motor:

·        Motricidade global

·        Motricidade fina

·        Lateralização

                       

Predomínio de um orgão par sobre o seu homólogo.

 

A lateralização pode ser: toda do mesmo lado – homogénea – olho dir

                                                                                            - pé dir

                                             de diferentes lados – heterogénea (Ex: olho        

                                                                                  esq, mão dir, pé dir)

 

A utilização preferencial do lado direito designa-se por dextrismo; a utilização preferencial do lado esquerdo designa-se por esquerdina, sinistra.

A utilização preferencial das 2 mãos designa-se por ambidextrismo.

 

 

Como e quando se estabalece a sua laterização?

 

Lateralização manual – A fase opcional pelo lado preferencial dá-se entre os 3 – 5 anos.

Lateralização ocular – Define-se entre os 5 – 6 anos. Olho que dá mais jeito utilizar quando se refere a uma visão mono-ocular (Ex: fotografia).

Lateralização pedal – Define-se entre 6 – 7 anos. Pé que dá mais jeito utilizar. (Ex: chutar bola, subir escadas.)

 

O bebé quando nasce não tem motricidade voluntária e, por conseguinte, não tem preferências de lado. Quando começa a preensão palmar aos 5,5 meses, utiliza apenas uma única mão e diz-se que a 1ª mão a ser utilizada será a preferencial. Cerca de 2 semanas depois vai utilizar as 2 mãos.

Dos 3 aos 5 anos a criança ainda não está lateralizada; o período dura desde o nascimento, ao momento da sua lateralização. Na fase em que a criança ainda não fez a sua lateralização, escolhe e utiliza indiferencialmente as 2 mãos. Designa-se por ambidextrismo fisiológico.   

 

Quando a lateralização se vai instalando, a mão preferencial vai ganhando uma maior perícia em relação à outra.

 

Pode acontecer:

·        Aos 5 anos ainda não ter optado pela sua mão preferencial e, nesse caso, durante toda a vida, vai utilizar ambas indiferencialmente, mas de uma forma desajeitada e inábil, dizendo-se que não está lateralizada ou tem uma insuficiente lateralização.

·        Não ter feito a sua lateralização, mas contrariamente ao 1º caso, a criança foi desenvolvendo e adquirindo uma perícia em ambas a mãos – ambidextrismo verdadeiro.

·        No momento em que se está a lateralizar, opte pela mão esquerda como preferencial, e os adultos a contrariem, obrigando-a a utilizar a direita – canhotismo contrariado.

·         

 

3 origens de falso canhotismo (tem tendências dextras, mas é forçada a usar a mão esquerda.) 

Ex:

1.    parte o braço direito, é forçada a usar o braço esquerdo, e passado alguns meses já não consegue fazer a mudança;

OU

2.    quando explicamos alguma coisa, muitas vezes estamos de frente, utilizamos a mão direita. Quem está à frente, se não está lateralizado, vê as coisas em espelho. Estamos constantemente a solicitar o lado esquerdo, ao dar uma chávena ou uma caneta: estamos a desenvolver o canhotismo;

OU

3.    muitas vezes as crianças estão numa fase de experimentar as duas mãos. Pegam uma vez a caneta com a mão esquerda e os pais pensam que ela é canhota e não a querem fazer utilizar a direita (mas estão enganados).

 

O canhotismo contrariado pode ser muito prejudicial, podem surgir perturbações psíquicas. Por exemplo, a criança ao aprender uma nova tarefa, acaba por se desmotivar, pois é muito mais dificil (aprender nova tarefa → sente dificuldade → fica desmotivada). A criança está constantemente a ser contrariada, pode ficar tensa emocionalmente e há uma relação de causa–efeito com a gaguez.

 

Conclusão:

3 causas que podem levar ao falso canhotismo:

1 – Partir o braço

2 – Educadora fomentar imagens em espelho

3 – Falso diagnóstico

 

Como é que a educadora deve proceder?

·        Deve orientar a direita (quando a criança tem tendências nitidamente dextras).

·        Criança com tendências nitidamente sinistras: a educadora deve orientar a mão esquerda e não contrariar.

·        Criança indecisa (começa a desenhar com a esquerda, depois continua com a direita). A educadora deve solicitar sempre a mão direita (porque o mundo está todo concebido no dextrismo).

·        A criança ainda está indecisa, mas parece que utiliza mais a mão esquerda, mas não é definitivo. A educadora deve tentar lateralizá-la à direita. Devemos dizer-lhe “Experimenta se te dá mais jeito com a outra mão”. Se ela disser “Não quero”, não se força. Se disser “Está bem”, é capaz de se lateralizar na direita. Se disser “Está bem”, e mudar para a direita, mas depois mudar para a esquerda, não se deve insistir mais.

·        Se a criança é canhota e não foi contrariada, mas apesar disso há perturbações (inabilidade motora, atraso motor, tiques, gaguez), deve-se falar com os pais.

 

 

AVDS – Actividades da vida diária:

 

12 m – Começa a fazer o gesto de levar a colher à boca.

18 m – Come melhor com a colher.

18, 24 m – Quer usar o garfo. Já precisa de ter uma coordenação óculo-manual.

12, 24 m – Começa a beber por um copo.

18 m – Descalça-se, tira tudo o que está agarrado à cintura com elástico.

24 m – Contacto com água (lava mãos).

3 A – Despir.

4 A – Sabe-se vestir.

4, 5 A – Deve saber utilizar os talheres; pôr manteiga no pão; saber lavar os dentes (não devemos pôr pasta na escova sem ela saber bochechar).

 

Todos estes requesitos devem estar realizados da primeira para a segunda infância.

 

4 A – Triciclo.

5A – Trotinete, patins, bicicleta.

 

Linguagem:

 

Factores imprescindíveis para o aparecimento da linguagem:

 

Intrínsecos – Maturação (1)

                   - Motivação (2)

 

Extrínsecos – Modelo (3)

                   - Ensino (4)

                   - Oportunidade de praticar (5)

 

Factores intrínsecos são factores que são próprios da criança, dependem da criança. Factores extrínsecos são os que vêm “de fora”.

 

1 – É necessário que a criança tenha atingido um grau de maturação determinado para aprender. Para que aprenda a falar tem de ter uma certa maturação intelectual e um grau de maturação ao nível do desenvolvimento do seu corpo: lingua, orgão fonador.

Nenhuma função se desenvolve sem maturação:

Função filogenética – desenvolvimento apenas por maturação.

Função ontogenética – exige maturação e aprendizagem (ex: linguagem).

 

2 – Uma criança de 1 ou 2 anos tem de estar motivada para a prendizagem. Ex: se uma criança começar a exprimir-se por gestos e os pais corresponderem, ela não sente necessidade de falar. Ex: ela aponta a boneca, aponta o sapato, dão-lhe o sapato….

 

3 – A linguagem para se instalar precisa de um modelo. Ex: uma criança que seja criada por lobos, aprende a uivar.

 

4 e 5 – O ensino faz-se no dia a dia dizendo frases curtas.

 

5 - É necessário estimular a criança, tentar perceber o que ela diz mas não através do gesto, deixá-las acabar de falar.

 

Etapas no desenvolvimento da linguagem:

 

1 – Compreensão sonora:

Independentemente da criança compreender o significado, é preciso ter compreensão sonora, perceber a sequência dos sons. A forma como se diz, se de forma harmonica ou rude.

 

2 – Pronunciação:

Repetição independentemente de saber o que está a dizer. Pronuncia e conhece o seu significado.

 

3 – Aquisição de vocabulário:

Os primeiros vocábulos surgem ligados a uma conotação afectiva, uma palavra que, por qualquer razão, toca a criança. Ex: quando, no palrar, o bebé diz “Mamã” e a mãe fica contente, ele associa essa alegria à palavra.

 

         3.1 – Palavra-frase: consiste numa palavra que o bebé diz, complementando-a com um gesto, e dessa união palavra-gesto surge uma frase completa. Ex: o bebé diz “bola” e aponta para a bola. O gesto serve de verbo e forma uma frase completa. Ele não consegue exprimir, mas já consegue elaborar. Isto surge no 2º semestre do 2º ano de vida.

 

Aspecto quantitativo:

10 meses – 1 palavra

12 meses – 3 palavras

18 meses – 18 a 20 palavras

24 meses – 250 a 300 palavras

2,5 anos – 450 a 500 palavras

3 anos – 900a 1000 palavras

4 anos – 1500 palavras

5 anos – 2000 palavras

 

Aspecto qualitativo:

·        Ela começa a dizer, em primeiro lugar, coisas que lhe dizem mais, substantivos: pai, mãe, titi, fralda, chucha.

·        Depois passa para verbos que concretizem os seus desejos: quero, dá.

·        Adjectivos: mamã bonita, feio, mau.

·        Advérbios.

·        Pronomes – possessivos (meu, minha), noção de pertença.

                - pessoais: tu em primeiro lugar.

O “Eu” surge aos 3 anos – reconhecimento que ele já tem com o ser individual e pensante. Quando isto surge é porque já está numa etapa mais evoluída. É importante porque “vê-se” que a criança está a crescer.

·        Preposições.

·        Conjunções – complementam o vocabulário.

 

4 – Construção de frases:

 

Inicia-se nos 2 anos de idade. Quando já tem vocábulos suficientes, junta 2 palavras. São frases agramaticais. Ex: “Mamã bonita”.

Depois vão surgindo os elementos de ligação “Mamã é bonita”. A pouco e pouco as frases vão-se tornando mais longas, mais complexas, vão surgindo frases gramaticais (aos 3 anos). Aos 4 anos já existem mais frases gramaticais do que agramaticais.

 

 

Variações na aquisição da linguagem:

 

Factores intrínsecos – Saúde (1)

                                    - Nível intelectual (2)

                                    - Sexo (3)

 

Factores extrínsecos – Meio sócio-económico (4)

                                     - Relações familiares (5)

 

1 – Quando a criança está longos periodos acamada em casa ou no hospital, dá-se um grande atraso na linguagem. Tem menos contacto com crianças, tem uma estimulação deficiente. Estas crianças acabam por ter pouca motivação.

 

2  -  Há uma relação entre o nível intelectual e a linguagem. Uma criança com uma debilidade profunda pode nunca chegar a falar ou pode conseguir dizer algumas palavras.

Uma criança pode começar a falar com 1 ano, e com 2 anos pode dizer tudo, é um bom prognóstico. Mas podemos ter uma criança que aos 12 meses começou a dizer umas palavras, e evolui muito devagar: isto é um mau indicador.

Importa não apenas considerar o momento em que a linguagem se inicia, mas sobretudo a rapidez com que evolui. O facto de começar a falar muito cedo pode não ser significativo, se não tiver evolução, e o facto de começar a falar tarde pode não ter importância se ela depois evoluir bem.

 

3 – As raparigas falam mais precocemente, têm menos problemas de linguagem, articulam melhor as palavras, menos atraso, menos gaguez.

 

4  -  A linguagem é muito influenciada pelo meio cultural. Se o meio é mais evoluido, ela terá uma linguagem melhor, mais adequada. Se vive num meio menos favorecido não será tão bom, diz “chicolate” (ex). Diz o que ouve os outros dizerem; ou as crianças podem ficar em casa de alguma empregada.

 

5  -  A criança para se desenvolver bem precisa de um ambiente familiar estável, harmonioso. Uma família onde haja violência verbal e física, indisciplina caótica ou excessiva, não se estrutura adequadamente, e também a sua linguagem não evolui.

 

 

Se quisermos fazer uma avaliação da linguagem da criança, temos de considerar os parâmetros de avaliação:

             

              →Vocabulário

              →Pronúncia

              →Construção de frases 

              →Sentido do discurso.

 

Vocabulário:

Podem surgir o aparecimento de vocábulos menos próprios, erro no significado das palavras, ou aparecimento de palavras difíceis (3 anos).

Muitas vezes as crianças aprendem as coisas sem saberem o seu significado, apenas pela repetição.

 

Pronúncia:

É normal, quando as crianças começam a falar, pronunciarem mal. “Aquele homem é um patriota!” (idiota). Deve-se corrigir, embora possa ter piada.

É normal a existência de dislálias (trocas de consoantes umas pelas outras, sons…); são erros de pronúncia, vivíos de pronúncia, erros de fonia, vivíos de fonia.

É muito frequente não dizer “S” e dizer “che” (ex: chapato). Dislálias são abundantes aos 3 anos, são normais, diminuirão aos 4 anos, e aos 5 anos é bom que existam muito poucas, aos 6 anos não devem existir.

As dislálias devem estar corrigidas ao iniciar a prendizagem da leitura e da escrita. Se uma criança, em vez de dizer “esse” diz “che” e vai escrever como diz, e a leitura fica dificultada.

 

Construção de frases:

Inicia-se por volta dos 2 anos: predomínio das frases agramaticais, que vão diminuindo. Aos 4 anos deve haver mais frases gramaticais do que agramaticais. Aos 5 anos diz “fazi”.

 

Sentido do discurso:

A criança quando começa a falar, conta coisas que quase não se percebe. Ela limita-se a contar coisas que acontecem (4 anos). “Fui à praia!”. Já aos 5 anos o discurso enriquece “Fui à praia e gostei muito, estavam lá os amigos!”.

Um dos problemas que surge no discurso da criança é infantilização. Às vezes encontramos crianças com 5 ou 6 anos a falar à bebé. Resulta da forma como a família aceitou a linguagem da criança. Se a criança diz mal, emenda-se. Se ela falar como um bebé, temos de a ensinar a falar de maneira diferente.

 

 

Orientação espacial:

 

É uma noção que o individuo tem da sua posição no espaço, posição que ele ocupa em relação aos objectos, noção de posição dos objectos em relação uns aos outros. É ter a noção de onde nós estamos, se está perto, se está longe, em cima, em baixo, no meio….

 

Como se vai processando:        

Ela assimila o que é mais simples primeiro. Dizemos “A boneca está em cima da cama”, “A bola rolou para baixo da mesa”. Assim a criança vai adquirir as noções de “em cima” e “em baixo”.

 

·        1,5; 2 anos – em cima; em baixo.

·        2; 2,5 anos – dentro; fora.

·        3; 3,5 anos – à frente; atrás.

·        4; 4,5 anos – perto; longe.

                  - no meio; à roda de; à volta de; entre.

·        5 anos – mão direita; mão esquerda.

 

É normal que ela não distinga entre “<” e “>”, ou “d” e “b”, não distingue formas iguais que diferem na sua posição no espaço. Aos 6 anos deve haver menos ou quase nenhumas.

Quando a criança consegue já distinguir a mão esquerda e a direita, só distingue as dela, não as da outra pessoa. Se tivermos à frente dela e perguntarmos qual é a nossa direita, ela aponta para a nossa esquerda.

 

·        5,5; 6 anos – direita e esquerda no seu próprio corpo.

·        6,5; 7 anos – à direita e à esquerda do seu próprio corpo (olho, braço, orelha, cotovelo).

·        7; 7,5 anos – direita e esquerda sem referenciar o seu próprio corpo. Não precisa de estar envolvida no processo para saber qual é a direita ou esquerda.

·        7,5; 8 anos – compreende mudanças de posição devido à rotação de 180º.

·        8; 8,5 anos – compreende simultaneamente direita e esquerda. Compreende imagens no espelho.

 

 

Desenvolvimento emocional:

 

O estado emocional da criança é portado por emoções frequentes, duração breve, intensas e desproporcionadas à causa. Tão depressa pode rir, como chorar, sem que haja uma causa significativa. Os seus estados emocionais não estão relacionados com a causa.

 

Tudo começa com o nascimento, o recém-nascido pode oscilar entre o pólo de prazer ou pólo de desprazer. Ao longo dos tempos vão-se destacando emoções. O papel fundamental é a relação precoce entre uma mão e um filho (díade). A criança estabelece uma relação com a pessoa que exerce as funções maternais (pode não ser a mãe biológica).

A mãe tem uma reacção calmante na criança.

Antigamente, o papel do pai era secundário, agora está a ganhar mais importância.

Há uma multiplicidade de pessoas que ajudam a mãe: avó, tias, madrinhas, amas….. São pessoas com que a criança vai desenvolvendo os seus afectos.

Há medida que a criança se vai ligando afectivamente com a mãe, pai e outras pessoas, notamos que há manifestações de alegria (reconhecimento do rosto materno aos 3 meses).

 

O estado de humor das crianças é diferente dos adultos. A criança ou está contente ou está triste. O estado de humor que predomina numa criança é alegre. Se nós virmos uma criança que não ri, temos de ter particular atenção com ela. Ela pode estar a ficar doente; podem existir problemas psicológicos: ela pode ter um desgosto. Ex: nascimento de um irmão; problemas em casa; afastamento dos progenitores; maus tratos verbais ou físicos; violência doméstica entre os progenitores; violência psicológica; morte de familiar.

 

Um dos desgostos que uma criança pode ter é o nascimento de um irmão. Pode ser uma fonte de satisfação ou fonte de ciúmes (pode gostar do irmão e ter ciúmes ao mesmo tempo). O ciúme é uma emoção que não é muito precoce, não encontramos bebés com menos de um ano com ciúmes. Mas em alguns casos, pode acontecer haver bebés de 10, 11 meses que vê a mãe a pegar noutro bebée fica com ciúmes.

Em regra, a partir dos 15/18 meses nota-se mais significativamente. Atinge o máximo aos 3, 5 anos. A altura em que o ciúme atinge o máximo é coincidente com o nascimento do irmão.

Há um acréscimo de ciúme na pré-adolescência (13/15 anos). A partir dos 16 anos acalma novamente.

 

I. Ciúme:

 

A preparação numa criança que vai ter um irmão é fundamental. Não se deve dizer que vai ter um irmão com quem brincar. Um recém-nascido serve para tudo menos para brincar. Uns anos mais tarde eles podem brincar juntos, mas ela pensa no momento presente.

Na criança deve ser criada um expectativa da chegada do irmão, dizer qual o sexo do bebé.

A criança deve estar implicada em todos os preparativos, roupas, berço, lençois, para despertar o entusiasmo da criança.

Há que ter cuidado com coisas que se digam e que possam ser traumatizantes para a criança.

Quando nasce o irmão, os pais têm de ter cuidados redobrados para não porem o outro filho de parte. Se fôr filho único, ela percebe que deixou de ter a exclusividade. Os pais têm de redobrar as atenções e os carinhos, a mãe dá de mamar ao bebé, e o pai brinca com a criança. Têm de partilhar as atenções.

Nasce o bebé, as pessoas vão visitar o bebé, a criança fica posta de lado, as pessoas só trazem presentes para o bebé. Devemos levar uma coisa qualquer para a outra criança também.

Uma das coisas que a mãe deve tentar fazer é que o filho mais velho se sinta útili e importante “Vai ver se o mano está a chorar”, “Dá-me o talco”, “O João é que me ajuda”.

 

I.1  Sintomatologia:

 

Podem surgir alterações do comportamento (A), do apetite (B), do sono (C), e sintomas de regressão (D).

 

A – A criança torna-se irritável, grita mais, tem birras, pode ser uma fase passageira, torna-se desagradável com as pessoas, pode mesmo ser agressiva, pode chorar por qualquer coisa.

B – Anorexia muito marcada, ou até não, pode crescer (em altura), mas o peso do corpo mantém-se, há uma estabilização do peso.

C – Pode surgir insónia, pode ser inicial (dificuldade em adormecer), intermédia (acordar a meio da noite e querer brincar), ou terminal (acordar demasiado cedo). A mais comum é a inicial, e a seguir a intermédia.

O sono torna-se agitado, inquieto, podem surgir pesadelos.

D – Sintomas em que o individuo retoma comportamentos ou hábitos de uma idade mais baixa.

Aos 5 anos a criança já não usa chucha, já deixou as fraldas, já deixou o biberon, e depois retoma isto tudo. É como se a criança quisesse competir com o irmão, mas em pé de igualdade.

Quando a diferença de idade entre os irmãos é muito pequena, pode surgir uma fixação, a criança mais velha pode parar o seu desenvolvimento. A evolução dos comportamentos faz-se a par com o irmão.

 

II Curiosidade:

 

Surge muito precocemente na vida de uma criança. Quando se dá a maturação da visão, a curiosidade despoleta.

Se tivermos numa sala algum miudo que não seja curioso, é muito difícil lidar com ele.

As crianças interessam-se por tudo aquilo que vêem.

Um bebé tem curiosidade sexual quando se interessa pelos seus orgãos sexuais. Esta curiosodade em crianças que têm irmãos de sexo diferente é mais precoce.

Aos 2; 2,5 anos, a criança apercebe-se que há diferenças anatómicas (seios, bigode, barba). Na 2ª infância surge o interesse da reprodução. Quando a criança vê mulheres grávidas, a pergunta “de onde vêm os bebés” é caracteristica da 2ª infância. Muitas vezes os pais não foram educados sobre estes assuntos, e não têm àvontade suficiente para tocar neste assunto. A criança pode-se ir esclarecer com os colegas da idade dela, por vezes podem não trasmitir correctamente a informação. Se ela quer explicar e não sabe, ela inventa. Se a criança não é devidamente informada junto dos pais e vai procurar adquirir conhecimento junto de outros, ela pode-se culpabilizar porque está a fazer o que não deve, dá-lhe sentimento de culpabilidade; por outro lado pode considerar o sexo como algo de mau, uma coisa menos sã, menos saudável, menos natural, uma coisa suja.

 

 

III Cólera:

 

A cólera surge porque a criança entra em fases particularmente difíceis.

 

No 1º ano de vida a cólera está relacionada com o mau estar físico (quando tem fome, frio, calor, cólicas, está assada…)

Ou pode surgir cólera por razões de índole psicológica (está sózinha, viu chegar alguém e pensa que a vai tirar do berço).

Se a criança não tiver mau estar físico nem se sentir abandonada, ela só chora quando tem fome ou sede.

 

A partir dos 18 meses a cólera aumenta devido a sentimentos contraditórios:

Ela quer ser independente, mas não é: quer abrir a torneira, mas não consegue fechar; descalça os sapatos, mas não os consegue calçar. Ela não consegue, não pode.

Também não a deixam, existe o NÃO da mãe.

O NÃO da mãe funciona como uma prova de desamor. Ela pensa que se a mãe gostasse dela, deixava-a fazer tudo o que quisesse. Ela quer ser amada, mas julga que não é, quer certificar-se do amor da mãe. Nesta idade, uma criança certifica-se do amor da mãe através dos cuidados que lhe são prestados (mudar fralda, dar banho……). Então ela quer ser independente para ver que é amada; mas quer ser independente (e não é), regressão à cólera.

Os sentimentos contraditórios residem no facto da criança querer ser independente e não querer ser independente. Aqui está a contradição.

 

 

IV Medo:

 

Se rebentarmos um pacote ao pé de um bebé, ele chora de susto.

A criança pode associar um ruído a um determinado objecto, passado um tempo fica com medo.

O medo está relacionado com um determinado objecto.

Eles podem ter medo do mar, da imensidão, das ondas. A criança tem medo das sombras. Ex: tem muitas vezes medo da roupa que é deixada no quarto. Se vir uma camisola, imagina uma pessoa.

A criança tem ilusões frequentemente, ela está crente da realidade.

A partir dos 3; 3,5 anos a criança vê animais grandes: ursos, leões, lobos. Aos 4; 4,5 anos são as figuras miticas dos contos de fadas (papão, gigante, madrasta). Depois dos 5 anos, os medos são mais realistas (ladrões).

Temos de atender à criança que está com medo, de uma maneira atenciosa. Pode ser necessária uma luz de presença. Não se deve apagar a luz de presença depois durante a noite.

Há que ter cuidado nas hirtórias que se contam às criança. Não exacerbar os medos. Às vezes as histórias têm um fim infeliz.

 

 

I  Socialização:

 

A criança ao nascer está no nivel 0. Rapidamente começa a sentir prazer na companhia dos outros. A partir dos 6 meses ela procura estabalecer uma relação. A partir dos 10 meses ela entra numa fase de imitação. Aos 12 meses há obediência ao não da mãe, existe uma compreensão do NÃO. A pouco e pouco vai-se integrando na vida familiar (a partir de 1 ano). A vida da criança vai-se aproximando da vida do adulto: as horas da refeição começam-se a aproximar, as horas de sono diminuem. Tem uma evolução lenta e gradual. O interesse pelos adultos vai aumentar mas também gosta da presença de outras crianças.

Entre os 8 e os 12 meses há uma fase de medo. Se está ao colo da mãe e vê outra pessoa, chora. Depois perde o medo. Tem uma fase no 2º ano de vida que é a timidez, mas é só nos primeiros contactos, ela vai deixando um olho de fora para que a pessoa brinque com ela.

A criança torna-se timida, sobretudo em relação a adultos desconhecidos.

Se ela está a brincar com uma criança, por vezes tira-lhe o brinquedo. É uma questão de afirmação.

Ela gosta muito de ajudar.

 

 

Resumo:

15 meses a 2 anos → Interessa-se muito pelos adultos

                                 Sorri às outras crianças

                                 Chora por imitação

                                 Timidez

 

Surge a: - Rivalidade em relação às outras crianças

               - Cooperação social em relação ao adulto

 

Durante a primeira infância → interacção progressiva na vida familiar.

 

 

I.1   Relacionamento com os outros:

 

O seu relacionamento com os outros varia com as faixas etárias.

Aos 2 anos, a criança prefere a companhia dos adultos. Aos 2 anos ela é muito frágil, com os adultos sente-se mais tranquila, mais segura. Mas também gosta da companhia de crianças.

À medida que cresce torna-se mais independente, pode prescindir da companhia do adulto, vai preferir a companhia das crianças (3 anos).

Aos 4 anos já prefere a companhia das crianças.

 

 

I.2  Actividade lúdica:

 

Também aqui se assiste a uma evolução.

Aos 2 anos de idade ela faz o jogo paralelo (ela não se insere nos grupos de crianças mais velhas ou mais novas).

Se há um grupo de crianças mais velhas, ela prefere brincar sózinha, mas está satisfeita. Ela não se consegue integrar no grupo ainda.

Aos 3 anos, ela brinca com outras crianças, mas gosta de ter um adulto ao pé.

Aos 4 anos brinca com outras crianças sem precisar da companhia de um adulto.

 

 

I.3  Durante a 2ª infância:

 

Encontramos crianças com tendência à liderança. São facetas de personalidade que se começam a destacar, e algumas têm tendência em obedecer.

Autonomia e independência.

A criança não considera que haja limites na propriedade. Ela não tem a noção de posse. É de sua pertença o que lhe agrade. Não é de estranhar o facto de uma criança ir a um sítio qualquer e pôr nos bolsos tudo o que gosta. A noção de posse surge na 3ª infância

 

I.4  Trabalho de grupo:

 

Num trabalho de grupo todos trabalham para um fim comum, mas o resultado não se sabe quem fez. Ela quer que o seu trabalho seja reconhecido. É muito individualista.

Aos 3 anos ela não percebe o que é trabalho de grupo.

Aos 4 anos percebe mas não aceita.

Aos 5 anos aceita mas não realiza, salienta o que fez, chama-se trabalho paralelo.

 

Trabalho paralelo – parece estar a relaizar um trabalho de grupo. Ex: se a professora disse para pintarmos um painel, ela no fim diz “anda ver esta parte que eu fiz!”. Ela percebe o que é o trabalho de grupo, mas quando o trabalho está completado, ela salienta o que fez e não o global.

 

Aos 6 anos há uma mudança: já fazem um trabalho em grupo.

 

 

I.5  Modo como a criança reage a solicitações feitas,

fase de oposição ou obstinação:

 

Entre os 3 e os 5 anos vamos encontrar um comportamento que se chama condutas de resistência (comportamento que a criança toma a várias solicitações, ela opõe-se, resiste ao que lhe é solicitado, mesmo que lhe agrade).

Estes comportamentos de negação começam a surgir aos 18 meses. Inicialmente são manifestações gestualizadas (abanar a cabeça). A partir dos 2 anos começam a ser verbalizadas (diz claramente NÃO).

Ex: (inicialmente) queremos dar-lhe um beijo e ela foge com o corpo; queremos ir dar um passeio e ela esconde-se.

(A partir dos 2 anos) “Queres um chocolate?” “Não”; “Queres um bolo?” “Não!”. Resiste àquilo que é solicitado.

Ela faz isto para se afirmar, é uma maneira de se opôr àquilo que o adulto lhe solicita.

 

Pode acontecer que as condutas de resistência sejam levadas até certo ponto, até ao máximo, chama-se negativismo.

O negativismo pode surgir em várias situações:

→ Instabilidade

→ Irritabilidade

→ Agressividade (auto e hetero: podem-se agredir a eles próprios, morderem-se, bateram com a cabeça; ou podem agredir os outros)

→ Espirito destrutivo

 

Génese: Disciplina excessiva

              Rigidez

              Autoritarismo

              Atitude intolerante em ralação à conduta infantil normal.

 

 

Piaget

 

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Fase I ou

1 - Período das operações sensório-motoras  (0 - 2 anos)

 

Fase II – Preparação e organização de Inteligência operatória

2 - Período pré-operatório

                sub-periodo préconceptual                                      (2 - 4 anos)

                sub-periodo conceptual                                           (4 - 6 anos)

3 - Período das operações concretas                         6 - 7     10  - 11 anos

 

Fase III Operações formais ou

4 - Período das operações formais                                                    12 →

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Fase I

1- Período das operações sensório-motoras (0 - 2 anos)

 

Na fase I há uma articulação entre a actividade sensorial e a actividade motora. Neste período encontramos uma divisão em estádios, que são 6: os primeiros 4 correspondem mais ou menos ao primeiro ano de vida, os outros 2 ao segundo ano de vida.

 

O 1º estádio ocupa o primeiro mês de vida, e o que encontramos aqui no bebé é uma actividade de reflexo. São respostas a estímulos, actividades involuntárias. (Quando sopramos para os olhos ele pestaneja.)

 

O 2º estádio vai de 1 até 4 meses de idade; encontramos uma coordenação entre reflexos e reacções, começa a reagir de uma maneira deliberada. Há um estímulo e uma resposta voluntária. Piaget designou como reacção circular primária. (Quando fazemos barulho com o boneco ele procura o barulho.)

 

O 3º estádio desenvolve-se entre os 3, 4 meses, e os 7, 8 meses. O bebé já tem capacidade de repetir intencionalmente certas intenções, chama-se reacção circular secundária. Se ele estiver ao pé de um sino e este tocar, ele depois vai lá com a mão e toca de novo. Neste estádio há um interesse cada vez maior por tudo o que o rodeia. Nesta fase, as coisas visiveis são importantes para a criança. Se deixam de ser visiveis, deixam de ser importantes. Ex: se ela está a brincar com um brinquedo e o deixa cair, não o vai procurar.

A criança não guarda conhecimento, se não daquilo que é observável. Inexistência do objecto não visível.

 

O 4º estádio vai dos 7-8, 10-11 meses: a criança torna-se mais curiosa, mais activa. Age sobre o meio, modificando-o. Procura saber, conhecer, explorar. Os objectos passam a existir, mesmo sem serem vistos. Chama-se a permanência do objecto não visível. Se tivermos um brinquedo e o pusermos debaixo de uma almofada, ele vai buscar. Se o pusermos debaixo de uma outra ao lado, ele volta à primeira almofada. Os objectos, para ele, ainda estão ligados a um local determinado.

 

No 5ª estádio (10-12, 15-18 meses), já consegue procurar o brinquedo na segunda almofada, mas é preciso ele ver, se não vai continuar a ir ver a primeira almofada. Há uma compreensão das deslocações quando observadas. Este estádio é caracterizado por aquilo que se designa de experimentação activa. Ele atira o boneco ao chão muitas vezes para ver o que lhe acontece. Atira o boneco de várias maneiras. Nesta fase, começa a haver resolução de situações problemáticas através da descoberta ocasional. Imaginamos que ela está dentro do parque, atira o boneco para fora, ele fica em cima do tapete, alguém passa e ela vê o tapete a mexer, (ela precisa de uma pista) depois ela puxa o tapete e apanha o boneco.

 

No 6º estádio (15-18, 20-24 meses), há uma resolução de situações problemáticas através de esquemas que ele próprio organiza. Se o bebé tiver um brinquedo fora do parque e o quiser trazer para ele, o bebé pode pegar num boneco, aumentar o tamanho do braço, e conseguir lá chegar.

No estágio anterior ele precisava de uma pista, neste já consegue fazer sozinho.

Se escondermos o boneco debaixo da segunda almofada, sem ele ter visto, primeiro vai à primeira almofada, e depois vai à segunda, significa que o objecto já não está ligado a um local. O objecto passa a ser, independentemente do sítio onde se encontra. Chama-se representação total do objecto.

 

 

Fase II Preparação e organização de inteligência operatória

2 - Período pré-operatório

 

- sub-periodo préconceptual (2 - 4 anos)

 

1 - Há uma função simbólica que se desenvolve muito nesta idade, a linguagem, e o pensamento característico desta fase é o pensamento simbólico.

No pensamento simbólico as coisas não são apenas aquilo que são, mas são também o que a criança gostaria que fossem. Imaginemos uma criança que está a brincar com um pau; ela pode usar o pau como um microfone, ou uma espada.

Ela confere ao mesmo abjecto significados diferentes de acordo com a sua imaginação.

Por isso, às vezes os brinquedos sofisticados não têm muito significado.

 

2 - Outro pensamento que surge nesta fase é o pensamento animista ou animismo (nesta fase é um animismo universal). Animismo é a atribuição de vida a todos os seres que possam ser inanimados: nascem, crescem, sofrem, têm medo…. Tudo tem vida, até uma pedra; por isso se chama universal, não há exepções.

 

3 - O pensamento mágico inicia-se também no periodo pré conceptual. É uma forma de pensar em que tudo pode acontecer. É normal para uma criança nesta idade abrir-se uma janela e entrar um elefante a voar!

É mais intenso no periodo conceptual.

 

- sub-periodo conceptual (4 - 6 anos)

 

Neste período existem vários tipos de pensamento:

o       Pensamento intuitivo

o       Restrição do animismo

o       Pensamento mágico

o       Egocentrismo intelectual

o       Pensamento realista

o       Pensamento absolutista

o       Não conservância

 

O pensamento intuitivo funciona de uma forma analógica; é um pensamento não lógico, mas também não é ilógico. É um pensamento analógico (analogia é uma comparação).

É uma forma de pensar com comparações sucessivas. Ela elabora conceitos por comparação de outras coisas que já conhece. Ex: um banco é uma cadeira sem costas.

Os conceitos vão partindo dos mais simples para os mais complexos. A criança conceptualiza-se a partir daquilo que é mais chamativo. Ex: uma criança citadina facilmente aprende o conceito de cão. Um dia vai passear para o campo e vê um carneiro, diz que é um cão.

Por analogia, ela chamou carneiro ao cão. Por isso, a analogia dá muitas vezes em erro.

 

A partir dos 5 anos há uma restrição do animismo e para a criança passa a ter vida não tudo em geral, mas tudo aquilo que mexe. Ex: água que corre, bonecos que se mexem, relógios que têm pêndulo ou cuco, árvores.

 

O pensamento mágico aqui aumenta. Todas as histórias têm um grande incremento.

Existe uma crença na omnipotência do pensamento. Ela pensa que com a força do pensamento pode fazer as coisas acontecerem. Se a mãe disser “Se não chover amanhã podemos ir à praia”, ela passa o dia todo a dizer “Não vai chover, não vai chover…”

 

Egocentrismo intelectual: há uma subordinação das ideias dos outros às suas ideias. Ela não procura fazer com que as outras crianças pensem como ela, ela entende que as ideias dos outros são iguais às suas. Entende as coisas ligadas à sua própria perspectiva.

Ex: se ela tem fome, entende que toda a gente tem fome; ela não gosta de cenouras, entende que ninguém gosta de cenouras.

 

Pensamento realista: para a criança as coisas têm sempre um punho de realidade, os sonhos são reais. Quando, aos 4 anos, a criança é capaz de relatar um sonho, para ela acontece mesmo de verdade. Se ela contar ao adulto que foi a casa dos avós ontem, o adulto pode acreditar.

 

Pensamento absolutista: é um pensamento extremista, não tem meios termos. Ex: para a criança as pessoas ou são novas ou são velhas; ou é bom ou é mau.

 

 

Outra característica deste período é a não conservância:

Imaginando que temos dois copos com água, um alto e outro raso. Se perguntarmos à criança qual tem mais água, ela diz que é o mais alto, embora tenham os dois a mesma quantidade.

Imaginendo  que temos uma bola grande de plasticina, se a dividirmos em bolinhas pequenas, e perguntarmos à criança qual tem mais plasticina, ela diz que é a bola maior, embora tenham ambas a mesma quantidade de plasticina.

Diz-se que a criança é não conservante porque para ela a quantidade de matéria não se mantém constante, varia.

 

Isto pode ser justificado por 3 razões distintas:

- Pela incapacidade que tem de pensar simultanemante em mais do que uma variável.

Ela pensa que onde há mais água é no copo mais alto porque não pensa na largura do copo. Não consegue pensar simultaneamente, ela só selecciona uma variável de cada vez. Não pensa simultaneamente na altura e na largura; ou pensa numa, ou noutra.

Na plasticina ela diz que há mais na bola grande. Ela não consegue pensar simultaneamente no tamanho e no número. Diz que é na bola maior porque vê muita plasticina, na outra vê pequenas bolinhas.

 

- Por irreversibilidade do pensamento. O pensamento da criança não é capaz de refazer os passos de uma operação, voltando para trás. Se a bola de plasticina era grande, fizeram-se bolas pequenas, ela não percebe que a bola pode voltar a ser grande de novo.

 

- Principio da Invariância: se não tirarmos nem pusermos, a quantidade de matéria mantém-se constante. Aos 5 anos ela não entende este principio, ainda não o atingiu, por isso ela considera possível a modificação da matéria. A criança selecciona o que é mais chamativo.

 

 

3 - Período das operações concretas (6 –7; 10 - 11 anos)

 

 

Desenvolvimento físico:

 

Peso – 2 X A + 8

Altura – 5 X A + 80 = ___ cm

Estas fórmulas são variáveis até aos 10 anos.

 

Dá-se a queda da 1ª dentição e o aparecimento da 2ª. Os dentes começam a caír entre os 6, 7 anos. Os primeiros a caír são os incisivos medianos, depois os incisivos laterais. Caem 4 dentes por ano. À medida que caem vão sendo substituidos. Se os dentes cairem por um efeito de traumatismo, o dente que o vem substituir nasce na altura certa.

·        Os primeiros molares nascem aos 8, 9 anos.

·        Os segundos 4 molares nascem aos 13 anos.

·        E os últimos molares (ciso) nascem numa idade juvenil, ou podem não nascer, ficam inclusos.

 

 

Desenvolvimento motor: motricidade global, fina, lateralização

 

Quando a criança entra na 3ª infância, o desenvolvimento motor está concluído.

 

Motricidade global (marcha, corrida, salto): no inicio da 3ª infância a marcha já é igual à do adulto (1º apoiamos o calcanhar, depois a planta do pé - báscula); já sabe saltar bem ao pé cochinho com o pé dominante; consegue atirar uma bola correctamente com a rotação do ombro e com mais pontaria.

 

Motricidade fina: aperfeiçoamento dos movimentos finos; tem capacidade para manejar o lápis correctamente; transposição das letras de imprensa para letras manuscritas, não existe na 3ª infância o cunho pessoal.

 

Lateralização: Ficam todas completas com a pedal (7, 8 anos).

 

 

Linguagem: vocabulário (pronuncia), construção de frases, discurso

 

Vocabulário:

Vai continuar a aumentar; a escolarização tem muita influência, há um acréscimo. Pela vida fora, sempre que entremos em contacto com uma nova disciplina, enriquecemos a nossa linguagem.

A pronúncia a partir dos 6 anos já deve ser correcta, não deve haver dislálias. Devem ser corrigidas. É muito útil em termos de leitura, que as dislálias tenham desaparecido. Depois, se ainda houver, vai dificultar a escrita, pois ela escreve como fala.

 

Construção de frases:

Devem ser correctas, os termos verbais devem ser bem conjugados.

O discurso da criança já deve ser bem elaborado, não só descritivo, mas também crítico (apreciações mais elaboradas, com juízos de valor): dizer o que pensam, o que acham.

Na 3ª infância dá-se o aparecimento do calão.

No fim da 3ª infância e muito na puberdade, aparece a linguagem secreta, pondo os adultos de fora. Ela faz isto porque quer preservar a intimidade.

 

Desenvolvimento emocional:

 

o       Angústia

o       Complexo de inferioridade

o       Frustração

o       Culpabilidade

 

Angústia:

 

Quando uma criança tem 4, 5 anos, a atitude dos adultos é poupá-los de situações difíceis (morte, acidentes). A criança vai criando a ideia de que o mundo é bom, as pessoas são todas meiguinhas.

Um pouco mais tarde, a criança entra numa fase em que se solta mais, as mães tentam precavê-las das coisas más, mas por vezes acabam por exagerar. Devemos dizer à criança que não se deve falar com estranhos, aceitar coisas de outras pessoas…. A partir daí, a criança passa a encarar o mundo como mau: há pessoas e coisas más… há uma modificação do que as crianças pensam do mundo: passam de um mundo bom onde há pessoas boas, para um mundo mau, onde há pessoas que querem mal às crianças. Esta modificação causa-lhe angústia.

 

Todos temos a noção que a nossa casa é um refúgio. O dia correu mal, mas quando chegamos a casa sentimo-nos melhor. Se o ambiente familiar da criança é um local de violência, zanga, brigas, a casa deixa de ser um local de segurança, tranquilo. Ela fica angustiada.

 

Os primeiros contactos que a criança tem com a morte é com pessoas mais velhas. Elas pensam que só acontece aos mais velhos, ela está protegida. Os problemas complicam-se quando a morte é de uma pessoa de casa, ou se acontece a uma pessoa nova, ou mais grave se for a uma criança, pois aí ela apercebe-se que já a pode atingir a ela. Ela encara a morte como uma separação definitiva, uma perca, uma desprotecção. São factores angustiantes

 

Todas  as experiências ligadas à dor física e ao medo. Ex: uma criança que é atropelada e vai para um serviço de urgência, aterroriza muito a criança; internamentos hospitalares prolongados;ir ao dentista; médico; vacinas…

 

→ Noticias veiculadas pelo meio de informação: as crianças são capazes de ler os cabeçalhos dos jornais que, normalmente, só dizem tragédias; na tv vêm acidentes, incêndios, desastres… esse é o tal mundo mau que começa a invadir a criança.

 

→ Instrução religiosa: antigamente, no catecismo, mostravam-se figuras do diabo, do inferno, castigos. Se as crianças se portassem mal, as pessoas diziam que iam para o inferno, que as castigavam. Isso podia-lhes provocar angústia.

 

Complexo de inferioridade:

 

Quando a criança entra na 3ª infância dizem que “Agora vai começar uma  nova vida, já és um homem/mulher”. A criança, de um momento para o outro, vê-se com uma série de normas para cumprir, tarefas, cadernos… Isso faz com que a criança pense se será capaz de fazer o que lhe dizem, depois acha que não é capaz de fazer o que lhe pedem.

Esta fase é confusa para a criança. Muitas vezes ela quer fazer uma coisa e não consegue, e o adulto vira-se contra ela. Ex: a criança chega a casa da escola, a mãe tira o bibe, abre a mala da escola, vê os trabalhos… é uma rotina. Há um dia em que esta rotina é quebrada, ela chega a casa e a mão não está e deixa a indicação para ela fazer as coisas como de costume. Ela vê tudo desarrumado (loiça, camas…). Resolve fazer uma surpresa à mãe e começa a arrumar a casa. Levanta a mesa, lava a loiça, atira água para o chão, parte um prato, suja a casa… chega a mãe, vê tudo sujo… a mãe ralha com ela… a criança sente-se incompreendida e incapaz, pensa que tudo o que faz é mal feito.

Na escola nem sempre as coisas correm bem. Os irmãos mais velhos por vezes dizem “Cala-te, és um parvo, não sabes nada…”, e a criança sente-se diminuida.

 

Frustração:

 

Sentimento decepcionante que surge quando algo que se pensava poder obter não acontece. Pensamos que vamos alcançar uma coisa, isso não se verifica, o sentimento de perca resultante é a frustração. Quanto mais seguros estivermos de obter essa coisa que falha, maior é frustração.

Começa quando o individuo começa também, é possível um bebé sentir frustração: está a beber um biberon, ele acaba e fica com fome.

Pela vida for a vão surgindo frustrações. Geralmente a criança é poupada, quanto mais pequena é, menos frustrações tem, o adulto evita. Quando ela entra para a escola (6 anos), a criança já não é poupada a frustrações. A partir daí, desde que nos levantamos até deitar, temos muitas frustrações, mas não nos apercebemos. Por isso, ao longo da vida vamos desenvolvendo uma capacidade de tolerância à frustração. Quanto maior ela fôr, menor é a nossa frustração. É indispensável um indivíduo adquirir esse mecanismo para que seja um adulto equilibrado e estável.

 

Ex: Imaginemos uma criança muito mimada, muito protegida, ela não tem frustrações, os pais davam-lhe tudo. Chegou aos 14/15 anos e queria um carro, mas os pais disseram que não porque não podia. Ela fica muito infeliz… Se passar por uma estação de serviço e vir um carro com uma chafe, rouba-o. Ela procura sempre que os seus desejos sejam satisfeitos. Se não consegue obter as coisas de forma lícita, recorre a outros meios. É um dos caminhos para a delinquência.

 

Ex: Outra criança que também está habituada a ter tudo, quando as coisas começam a falhar, torna-se um individuo frágil, acha-se a pessoa mais infeliz do mundo, mal preparada para a vida. Se combinam ir à praia e está a chover, ela chora o dia todo e julga-se a pessoa mais infeliz do mundo. Hipervaloriza as pequenas coisas que lhe acontecem e desvaloriza o que acontece aos outros.

 

Ex: Uma família dissociada (maus tratos, abandono), a criança é institucionalizada, tem múltiplas frustrações (afectivas, materiais). Pode não ser uma criança institucionalizada, pode ser uma criança com muitas frustrações e ter uma família organizada.

A criança institucionalizada com múltiplas frustrações: pode criar uma personalidade deprimida, considerando-se incapaz. Pensa que as coisas boas só aconecem aos outros; já está mentalizada que lhe vai correr tudo mal.

A criança, perante as frustrações, revolta-se. Pensa que toda a gente está em dívida com ela. Torna-se rebelde, revoltada. Revolta-se contra a autoridade: primeiro a família, depois a escola, depois a sociedade.

 

Ausência de frustrações ou excesso: estas pessoas têm situações muito idênticas (delinquência).

 

 

Culpabilidade:

 

A génese reside em 3 aspectos fundamentais:

Culpabilidade que resulta de uma deficiente informação sexual. Sente-se culpabilizada por ter interesse nesse tema.

 

Atitude errada dos pais que culpam as crianças pelos acontecimentos maus, não compreendem as travessuras das crianças. Dizem “Só me causas desgostos”, “Se não fosses tu eramos mais felizes”. A criança sente-se culpabilizada pelas coisas que fez. Esta situação pode levar ao siucídio inconsciente.

 

Hostilidade recalcada, hostilidade que pode desenvolver em relação a um progenitor. Imaginemos que uma criança que é mal tratada pelos pais, vai desenvolver sentimentos de hostilidade perante o progenitor mal tratante. Na medida em que ela desenvolve estes sentimentos, sente-se culpada. Este sentimento pode ser extremamente penoso, intenso. O mecanismo psicológico para fazer diminuir a hostilidade é a expiação (redimir).

Ela tem sentimento de culpabilidade pelo rancor que sente pelos pais, mas faz más acções de maneira a que o progenitor a castigue. Ela sendo castigada, dominui a culpabilidade, mas volta a hostilidade, e gera-se um ciclo vicioso.

A criança é maltratada por um progenitor; desenvolve sentimentos de rancor; o rancor desenvolve culpabilidade; a culpabilidade necessita de diminuir (dificil suportar); coloca-se em situações de ser castigada; sendo castigada diminui a culpabilidade, mas volta a hostilidade.

 

 

Text Box: Desenvolvimento social:

 

Na 3ª infância atinge aspectos significativos.

A criança, aos 5 anos, embora pareça que está a fazer um trabalho de grupo, faz um trabalho paralelo.

A partir dos 6 anos, a criança já faz um trabalho de grupo, faz parte de um todo e dilui-se nesse todo.

Inexistência da noção de posse (o que é teu é meu porque eu gosto), não percebe porque não pode apoderar-se daquilo que lhe agrada. Quando a criança rouba, é preciso ter atenção ao que ela rouba. Às vezes ela rouba para os outros. É preciso ter atenção o produto do roubo e o destino do roubo.

Ela rouba de uma maneira muito inábil.

È necessário fazê-la perceber que tem de aceitar o que é dos outros. Ela não deve ficar com o produto do roubo, deve restituir.

Dá-se a formação de grupos.

 

Text Box: Integração da criança na escola:

 

Pode-se adaptar bem ou não.

 

Processos que contribuem para uma não adaptação na escola:

J Ela deve fazer parte de um grupo que vem da pré-escola.

J A criança vem de um determinado local a vai “caír” numa turma que já vem da pré-escola. É importante que o professor saiba ajudar essa criança.

J A própria família pode ser um agente de inadaptação. Se a criança não anda na escola, a família deve promover uma expectativa feliz da escola. Mas nem sempre é assim. Os pais podem dizer “faz isso que depois na escola vais ver”, as crianças começam a encarar a escola com receio.

J Nos meios rurais, os miúdos, em comparação com a vida que têm e com a vida da escola, vai restringir a liberdade que têm. A escola pode ser encarada como uma espécie de prisão.

 

Quando a criança chega à escola, podem acontecer várias coisas:

Se ela vai para uma instituição que esteja bem arranjada, com bonecos, vê a escola como um sítio bom, “afinal não deve ser tão mau como isso”. Mas infelizmente, nem todas são assim… o aspecto degradado dos edificios pode fazer com que o primeiro impacto das crianças seja mau.

Pode ser uma criança tímida, insegura, a integração começa a ser cada vez mais difícil. E mais difícil é quando essa criança tem pecularidades em relação a ela, e as crianças reparem em pequenas coisas: pode gaguejar, usar óculos, ser gorda… pode haver um grupo de razões que provoquem a inadaptação escolar.

 

Pode acontecer que a inadaptação escolar seja provocada pelo comportamento do professor: ele pode bater, gritar…


Formas de inadaptação escolar:

 

Desertismo escolar: provoca a inadaptação escolar, mas não tem a ver com o professor nem com os métodos de ensino. A escola é vivenciada pela criança como um local deserto, inóspito. 

 

Escolasticismo: quando a inadaptação escolar tem causas como o próprio professor, disciplina rígida, métodos que utiliza para ensinar, condições das aulas…

 

Nestas duas situações há uma inadaptação escolar. Esta situação vai dar origem ao insucesso escolar, ela não aprende porque tem um bloqueio intelectual que se designa de génese afectiva. É a incapacidade de aprendizagem por razões de inadaptação escolar por causas emocionais, sociais, e que não tem a ver com uma insuficiência intelectual.

 

 

Comportamento de uma criança inadaptada escolarmente:

 

Há crianças tímidas e inseguras que ficam no seu canto, são passivas, não falam durante a aula, não fazem perguntas, não falam com os colegas. Quando os professores falam com elas, elas não respondem ou falam muito baixinho. Muitas vezes surge o mutismo; há também o mutismo selectivo, pode falar em casa e não fala na escola.

 

Pode acontecer o oposto: estão sempre a interromper, têm comportamentos verbais para chamar a atenção, viram-se para trás nas aulas para falar com o colega.

 

 Pode haver um registo de rebeldia, ela torna-se muito agressiva com os outros e com a professora.

 

 Outra situação possível são as fugas. Há vários tipos:

       _ há uma típica dos miúdos dos meios rurais, está um sol bonito, deixou de chover, não vamos à escola! É aliciada por qualquer coisa e vai fazer qualquer coisa divertida.

       _há fugas que estão relacionadas com o medo da professora. A criança pode ir até à escola, mas não chaga a entrar. Ocupa o seu tempo com qualquer coisa, e vai para casa à hora de saída. Os pais só chegam a saber mais tarde.

       _pode entrar na escola mas fica no recreio.

       _pode ir até à escola, mas daí a pouco vai para casa e diz que a professora faltou ou que vai ter um bebé.

       _há fugas mais graves em que a criança vai para a escola e desaparece alguns dias, por más notas, ou porque vai chumbar de ano…

 

 Outro comportamento é a fobia escolar, medo incontrolável da escola: ela pode entrar em pânico e chorar para não saír de casa; pode simular uma
doença; às vezes pode mesmo adoeçer de facto (tem vómitos, diarreia, febre. Estes sintomas abrandam quando passa a hora de ir para a escola).

 

Pode ter origem numa situação que não tenha origem na escola.

 

 

Text Box: Desenvolvimento intelectual da criança
(3ª infância):

 

 

 

Periodo das operações concretas  6/7 anos – 10/11 anos

Pensamento característico – pensamento lógico (a criança é capaz de operar).

Operação: transformação mental reversível.

 

Ela passa de não conservante a conservante.

 

A partir dos 6, 7 anos, a quantidade de matéria (liquido dos recipientes, plasticina) é a mesma. Mas se perguntarmos “o que pesa mais? A bola grande ou bolinhas pequenas?”, ela continua a dizer que é a grande, porque a conservância do peso só fica clara aos 8/9 anos.

A noção do volume (“o que ocupa mais espaço, a bola grande ou a pequena?”) só fica clara aos 10/11 anos

Estas noções vão sendo adquiridas a pouco e pouco.

 

Conclusão:

1ª fase – percebe que a quantidade de matéria é a mesma (6/7 anos)

2ª fase – peso (8/9 anos)

3ª fase – volume (10/11 anos)

 

Na 3ª infância começa a perceber noções de adição. Percebe também que o todo, na totalidade, é maior que uma parte.

Também adquire a noção de seriação (ordenação de elementos).

 

 

A

 
Referências espaciais:

 

 

 

 

 

 


² Para as crianças, a distância entre A e B é sempre a mesma.


² Posição relativa de um corpo inclinado até 7/8 anos:

 

 

 

 

 

 


O animismo também existe na 3ª infância.

No sub-periodo pré-conceptual chama-se universal. Tudo tem vida. Este animismo, por volta dos 5 anos, começa a restringir-se a tudo o que se mexe.

No periodo operatório existe referenciado a algumas coisas. Nos bonecos de corda, ela já percebe que há um mecanismo que o faz mexer. Vai-se restringindo, mas ainda existe.

 

 

Referências temporais:

 

 Oré-operatório: para elas o maior é o mais velho.

 

 

Text Box: Situações de desvio de comportamento:
atitudes da educadora:

 

 

 

Sono – ruptura de consciência. A pessoa deixa de ver, deixa de ouvir.

Associada a esta ruptura, existem outros factores: o tónus muscular desaparece, ficamos com hipotonia muscular; a respiração é lenta e compassada, há uma bradipneia que é a consequência da bradicardia; tapamo-nos porque o corpo arrefece (hipotermia).

 

Durante o sono passamos por fases: sonolência; sono leve; sono médio; sono profundo. Para acordar é ao contrário.

 

Um individuo que seja privado do sono mais de 3 ou 4 dias, começa com alucinações. A privação do sono dá origem a perturbações mentais.

 

A partir de certa idade, as horas de sono diminuem.

 

Não se sonha em fase de sonho profundo. É chamada a fase R.E.M., são movimentos rápidos oculares, dá-se na fase média do sono.

 

As caracteristicas do sono nas crianças são muito diferentes das do adulto.


Um bebé dorme 20 horas. Nas 24 horas dorme 8 a 10 vezes. No recém-nascido há uma ligação entre a alimentação-sono.

 

Escalonamento do sono:

 

Recém-nascido – há variações de criança para criança:

-   sensibilidade constitucional (é assim porque é)

- variação individual (varia de individuo para individuo)

 

 


                              - Anóxia  (ou consequência do traumatismo obstétrico   Lesão do sistema      - Prematuridade

Nervoso                 - Desordens do sono nos debeis    _Sindroma de Down

                                                                                          _Microcefalia

 

0 – 3 meses

O bebé acorda 8 a 10 vezes.

Desordens frequentes: - relação sono - alimentação

                                     - cólicas do 1º trimestre

 

3 – 12 meses

Acorda menos ligado à fome, sono mais profundo, vigilia mais activa.

 

 

Desordens de sono frequentes: - após doença

                                                       - aprendizagem deficiente

                                                           - falta de estimulação

                       motora ou afectiva - abandono afectivo

                                                           - má relação mãe-filho

 

Com um ano de idade dorme 12/14 horas.

 

Por volta dos 2, 3 anos desaparece o sono da manhã, dorme a sesta depois do almoço. De noite dorme um sono mais prolongado. Aos 3 anos desaparece a sesta e dorme só de noite.

 

Há alterações importantes no sono que estão dependentes da relação que a criança tem com a mãe.

 

Perturbações de sono que estão relacionadas com o estado emocional da mãe:

_Fadiga da mãe (depois do parto), a mãe está cansada, triste, angustiada e não tem capacidade de cuidar da criança nem dela própria. Há uma hipoestimulação da criança com uma consequente alteração do sono.

_Mãe rígida, exigente: querem que o bebé tenha um comportamento de adulto.

_Mães coléricas (batem nos filhos).

_Mães ansiosas: mães muito preocupadas com os filhos. Estas crianças estão em constante sobressalto, estão a ser hiperestimuladas.

_Mães fóbicas: têm medo de mexer nos filhos, têm medo de lhes partir um braço, de os deixar caír...

_Escrupulosas e obsessivas: não podem ver um bebé, sujo, ou uma cama suja...

 

 

Mães com dificuldades de relacionamento pessoal:

3 anos

ª Receio de adormecer ou acordar a meio da noite e suporta mal a separação porque tem pouco tempo para brincar e para estar com os pais. As crianças saem cedo de casa, vão para o jardim-escola, vão tarde para casa, comem e vão logo para a cama.

ª hiperactividade motora que não foi suficientemente satisfeita durante o dia.

ªSituações conflituais: entre a criança e os pais; separação; divórcio; mortes...

ªDoenças físicas: dores, febre, mau estar.

ªSeparação do quarto dos pais: deve ser o mais precoce possível, quanto mais tarde for, mais relutância há na separação.

ªReceio de não conseguir conter os esfincteres.

 

3 - 5 anos :

Ö Sono melhor organizado

ÖDificuldades em adormecer

ÖAcordar a meio da noite

 

Remissão espontânea: (regressão dos sintomas)

 

_ Significado de reivindicação: sente que esteva pouco tempo com a mãe.

 

 

5 - 7 anos:

Regularização do sono.

 

Text Box: Regularização do sono:

 

 

Pré-sono: ela está preparada para dormir, está na cama de luz apagada:

                           - Medo: tem medo do que as sombras possam parecer

  Etnologia         - Rituais (1)

   Comum           - Insónia (2)

 

1- Podemos descrevê-lo como comportamentos estereotipados que a criança realiza antes de adormecer e que se repetem indefinidamente todas as noites. Ex: enrolar cabelos, chupar uma fralda...


Funciona como um protector. Para a criança, o sono é algo de misterioso, inexplicável, é um sítio para onde se vai, levada por não se sabe quem, que fica não se sabe onde, permanece não sabe quanto tempo, e onde pode ou não regressar.

São comportamentos que surgem aos 2/3 anos até aos 5/6 anos.

 

2- Acordar durante a noite e não conseguir dormir

 

Sono:

P Somnilóquios – falam durante o sono (normal).

P Bruxismo – ranger dos dentes quando dorme.

 

 

Fenómenos particulares:

 

_ Visões de sonolência

_Fenómenos hipnagógicos

_Sonhos

 

_Espécie de sonho que ocorre na fase de sonolência.

_São também na fase de sonolência. A criança está quase a dormir e vê qualquer coisa (um olho, mão, pé), como se fossem slides. Vai aumentando de tamanho, até que ocupa o quarto todo, que o pode agarrar ou engolir ou esmagar. São desagradáveis, metem medo. É uma sucessão de imagens paradas

_Se o individuo for impedido de sonhar, ao fim de um tempo começa a ter perturbações mentais. São indispensãveis à vida.

 

 

Aspectos patológicos:

 

Pesadelos:

São muito precoces na criança, na infância são mais frequantes nos rapazes (1ª e 2ª infância, mais na 2ª). A criança adormece, vai-se mexendo, agita-se, começa a gritar, chora, geme, os pais vão ao quarto, ela acorda com facilidade, vê os pais, acalma-se e volta a dormir. Na manhã seguinte recorda-se perfeitamente do que aconteceu.

 

Terror nocturno:

Aparecimento mais tardio (4, 5 anos), não vão aparecer na idade adulta, são raros na 3ª infância.

Começa com pesadelo, vira-se na cama, começa a chorar e a gritar. A certa altura senta-se na cama com os olhos abertos mas não vê, aponta para um canto ou qualquer coisa, continua a gritar, os pais chegam e tentam acalmá-la, ela esbraceja e pode mesmo incorporar a mãe e o pai no sonho “Vai-te embora bruxa!”, o pai pode ser um lobo... esta cena prolonga-se , 5 min, excepcionalmente 15 mim, e muito exepcionalmente 30 min. Isto tudo sem a criança acordar, sempre a gritar, com os olhos abertos mas sem ver. No fim


ela deita-se e continua a dormir. Não existe mais do que um terror nocturno por noite. Na manhã seguinte ela não se recorda de nada.

 

Sonambolismo:

Não começa antes dos 6/7 anos. São mais frequentes nas raparigas. Ela está a dormir calmamente, levanta-se de olhos abertos, vai pela casa fazer coisas que ficaram por fazer coisas que ficaram por fazer, desvia-se dos obstáculos... depois de ter feito tudo o que achava que devia ter feiro, volta para a cama, retoma o sono, e no dia seguinte não se lembra. Se alguém a vê e diz “deixa lá isso, volta para a cama” e ela volta, é muito dócil.

Não se deve acordar um sonâmbulo porque:

não há necessidade.

ela está num sono bastante profundo, é difícil acordá-lo.

se o acordarmos de maneira brusca, ela entra em ansiedade.

 

è Explicação do sonambolismo:

pensa-se que estes casos estão ligados a ansiedades, cansaço. Há uns anos esteve ligada à epilepsia.

 

 

Text Box: Alterações do apetite:

 

 

Aumento exagerado do apetite: bulimia (normalmente 3ª infância). Os pais não se preocupam, mas pode haver um problema. As crianças podem compensar a sua segurança e ansiedade com comida.

Pode haver perversões do apetite, chama-se pica. É o gosto por comer coisas que não são comestiveis: lambem paredes, cinzeiros.

Falta de apetite: anorexia.

Anorexia de causa psicológica: pode aparecer em qualquer idade. Pode aparecer anorexia em bebés, ele já nasce com anorexia (situação muito excepcional): dormem pouco são muito fracas.

 

 

Classificação de anorexia:

 

Quanto ao aparecimento:

1º ano de vida - anorexia essencial precoce (porque a causa é desconhecida)

                                -  do desmame (quando a alimentação passa de liquida para sólida, dificuldade de aceitar novos sabores.)

 

2º e 3º ano

 

Adolescência


Quanto ao comportamento da criança:

Inércia:

o comportamento do bebé é passivo, ele não reage, não protesta, mas também não come. Na criança mais crescida, faz uma bola na boca. No bebé, dar o biberon e ele chupa o leite, escorre pelo canto da boca.

 

Oposição:

O bebé chora, grita, agita os braços, pernas, foge com a cara, cospe, deita fora a comida. A criança mais crescida também chora, berra tanto num caso como outro, pode chegar ao vómito.

 

 

Quanto à evolução:

Simples: tem uma evolução favorável, quando a intensidade do sintoma é

              moderada.

Complexa: quando o sintoma é muito intenso e não cede às medidas

                   terapeuticas habituais.

 

 

Causas de anorexia:

 

Oposição da criança a uma disciplina demasiado rígida (horário, qualidade, quantidade, postura exigida).

Tem de haver uma certa flexibilidade e tolerância à alimentação, quer se trate de bebé ou criança. Nós queremos sempre que ele coma o mesmo às mesmas horas... numa refeição ela pode comer mais, noutra menos... Há aptência para determinado tipo de alimentos mediante as idades: os bebés têm aptência para os produtos de leite e derivados. A seguir vem a aptência para os glúcidos (batata, arroz...). Depois começam a gostar mais de carne, frango... o peixe mais tarde. Mais tardio as hortaliças, saladas...

A postura à mesa deve ser conseguida com suavidade e não com violência.

 

Ambiente perturbado à mesa: uma mãe está a dar de mamar ao filho, tem mais 3 que querem comer; a televisão muito alto; zangas, discussões entre as crianças ou dos pais com as crianças.

A hora das refeições deve ser priveligiada para o encontro familiar.

 

Desmame brusco: deve ser feito de uma forma lenta e cuidadosa de maneira que ela vá tendo contacto com os alimentos gradualmente. Deve ser faseado, de maneira a que a criança não se ressinta dessas modificações.

 

Atitude materna inadequada: mães ansiosas, querendo que a criança coma tudo senão ganha uma doença; mãe apressada “come depressa senão a carrinha da escola passa!”, “despacha-te!”, mãe impaciente pelas demoras, pela forma como se comportam…; inadequada em situação de doença ou convalescença: sempre que há uma doença, o apetite vem abaixo, outra situação é quando a febre baixou, ela quer brincar de novo, mas a anorexia mantém-se na convalescença e a mãe quer que ela coma de novo, força a criança a comer, transforma uma anorexia transitória numa anorexia prolongada.


É mais frequente anorexia numa criança isolada, que não tem amigos, não tem espaço para correr nem saltar, está todo o dia em casa, tem uma vida monótona, não há satisfação das suas necessidades, tem pouco movimento.

 

 Situações de conflito: hospitalização e separação, nascimento do irmão, mudança de quarto (do quarto dos pais). São situações de conflito, desgosto, provocam mau estar na criança e dá origem à anorexia.

 

Há sempre uma situação conflitual subjacente à anorexia. Há uma exigência por parte dos adultos e uma relutância por parte da criança.

 

 

Prevenção da anorexia:

 

É mais fácil prevenir do que depois tratar a seguir.

1.    Quando alimentamos uma criança, devemos de ter em atenção a sua idade. Temos de ter em conta a tal aptência alimentar. Os gostos variam com a idade.

2.    Ter em atenção o horário, a qualidade, evitar os exageros: não comemos sempre à mesma hora, nem a mesma quantidade.

3.    Não se deve supervalorizar a alimentação. O comer é um acto de convívio, deve-se comer com a família o mais precocemente possível, num ambiente calmo.

4.    Ela deve comer pela sua mão.

5.    Deve-se permitir que a criança esteja à vontade à mesa, sem exigências perfeccionistas excessivas. Os pais devem comer correctamente, senão as crianças também vão imitar os seus erros.

6.    Vida sadia, ar livre, coisas que façam a criança saltar, pular, relacionamento com outras crianças.

7.    Suavizar “desgostos” das crianças, separações, ter uma atitude correcta antes e depois do nascimento do irmão.

8.    Numa doença, esperar com calma que o apetite volte.

 

 

Atitude do educador perante uma criança anorética:

 

Devemos avaliar a causa e eliminá-la, ou pelo menos, atenuá-la. Podemos ter uma atitude que não vá agravar a situação. O comportamento da educadora deveria ser igual ao da mãe, não a mãe puxar para um lado e a educadora para o outro.

 

o       Não insistir. Não se devo forçar, obrigar, molestar…

o       Não encher os pratos.

o       Utilizar um prato grande.

o       Não dar alimentos que a criança não goste.

o       Não repetir alimentos recusados: “Não comeste hoje ervilhas, agora vais comer ervilhas até te habituares!”

o       Não fazer comentários diante de outras pessoas (“olha que pisca, olha como está sentada…”)

o       Não ter pressas.

o       Deixar a criança comer pela sua mão, estimulá-la a comer como os crescidos com talheres.

o       Deixá-la beber quando tem sede.

o       Não emitir juizos de valor, não devemos dizer que por ela não comer que é feia.

o       Atitude serena, não fazer dramas, não arranjar conflitos, não comes agora, comes depois.

o       Se vomitar não é drama, não castigar, não zangar.

o       Nunca dar o vomitado à criança.

 

 

Text Box: Excreção:

 

Enurese e incontinência: há um não controlo dos esfincteres.

 

Enurese: emissão involuntária e inconsciente de urina, sem causa orgânica.

Incontinência: com causa orgânica, orgãos “mais velhos”.

(Causa orgânica: pessoa que teve acidente vascular e que ficou com incontinência.)

 

Enurese: situação da criança, até aos 4 anos, de usar fraldas. Primeiro começa a controlar os esfincteres de dia, mas continua a usar fraldas de noite. Depois deixa de usar fraldas durante a noite (4 anos). Aos 5 anos não usa fralda.

 

Existem 2 tipos de enurese:

Enurese primária: passam os 5, 6, 7 anos, e as crianças continuam a fazer xixi na cama.

Enurese secundária: chega aos 4, 5 anos e controla os esfincteres, deixa de fazer xixi na cama, deixa de usar fralda durante 1 ou 2 anos mais ou menos, e depois volta a fazer na cama.

 

Pode acontecer enurese de várias maneiras:

Pode surgir durante o sono, ou enquanto está acordada e podem haver causas emocionais: a menina não gosta da professora. Ela chama-a ao quadro e ela faz xixi pelas pernas abaixo.

Quando a enurese surge com a criança acordada (mesmo que seja à meia noite, ela pode estar acordada) chama-se enurese diurna (até 3; 3,5 anos). Quando acontece durante o sono, chama-se nocturna (até + ou – 5 anos)(mesmo que seja durante o dia. Ex: sesta).


Causas da enurese:

 

Enurese primária:

a criança quer continuar bebé, não quer crescer. PORQUE: Ex: nasce um irmão e ela quer ser bebé como ele. è Quando o mais pequeno se apercebe que, quanto mais idade se tem, mais responsabilidades se ganham e ele tem medo de não conseguir, por isso quer continuar bebé, tem receio da competição. Ou: è discussão entre pais, ele pensa que, enquanto é pequeno, isso não lhe diz respeito, o conflito não o atinge.

 

Falta de aprendizagem – quando o bebé está horas a fio no berço com a fralda suja, não sente necessidade de ser limpo.

 

Enurese secundária:

Período de asseio superior a 6 meses. Depois acontece alguma coisa que a fez voltar atrás. A causa mais vulgar é o nascimento de um irmão: a criança sente necessidade de competir com o irmão; ou pode estar relacionado com a entrada para a escola, mau relacionamento com o professor.

 

Mesmo eliminando a causa, o sintoma pode persistir devido a um fenómeno chamado benefício secundário (pode surgir na enurese primária e secundária).

Quando a criança começa com o sintoma da enurese é porque está com um problema, pode ser uma chamada de atenção. Os pais podem ter várias atitudes, zangarem-se ou baterem, mas as crianças preferem isso do que não lhes ligarem nenhuma.

Ela tem um problema, o problema faz com que ela comece com enurese, a enurese faz com que chame a atenção dos pais (↔ vantagem), isso para a criança é benéfico, como é um benefício, vai ser um factor de sintoma.

Para ela continuar a ter essa atenção, seja ela boa ou má, continua com enurese.

 

 

Procedimentos a ter:

 

Acontece muitas vezes a enurese ser “fabricada” pelos pais. Eles, sem saberem, podem induzir a criança a fazer xixi na cama. Por ex: na transição das fraldas, os pais vão pô-los a fazer xixi durante a noite, não os acordam. Isto é ensinar as crianças a fazerem xixi na cama.

 

Ela tem de sentir o desejo, a vontade de deixar de fazer xixi na cama. Antes de se deitar, eles têm de despejar completamente o xixi da bexiga. As crianças também têm de colaborar. As crianças, durante o dia, podem beber bastantes liquidos, e não beberem à noite.

 

É importante que a criança seja responsabilizada por aquilo que faz, mas não bater nem humilhar a criança. Quando faz xixi “Que maçada, fizeste xixi…”, mas quando não fez “Boa, não fizeste xixi!”. Quando ela fizer xixi, deve ser ela a mudar os lençois, o pijama…, mas não como um castigo. Estimular pela positiva.


Text Box: Inabilidade motora:

 

 

Causas:

1.    Pouca saúde, doença crónica, crianças que estão sempre a adoecer, têm menos motivação para exercício.

2.    Constituição: peso excessivo ou insuficiente.

3.    Nível mental inferior: desenvolvimento motor lento (excluindo causa orgânica), suspeita de atraso mental. Uma criança que tenha um bom desenvolvimento motor, dá-nos estabilidade. Quando uma criança não tem doenças e não se desenvolve, temos de verificar o intelecto. Uma criança com 2 anos que não ande e não tenha doenças, deve ser  verificada mentalmente.

4.    Uma criança que não tenha oportunidades de se movimentar, pode não desenvolver a parte muscular. Uma criança que está fechada em casa, que não corra, não salte, não exercite os músculos.

5.    Falta de incentivo (pais superprotectores): “Não corras, podes-te magoar, não saltes, podes caír…”

6.    Exigências perfeccionistas (principalmente na motricidade fina): quando se começa a fazer uma coisa nova, não se faz logo bem, tem de haver um periodo de parendizagem. Se exigirmos uma perfeição absoluta e ela não corresponde, desmotiva-se.

7.    Tensão emocional: os estados emotivos influenciam a acção motora.

 

 

Text Box: Problemas em termos de linguagem:

 

 

Porque pode surgir o atraso de linguagem:

Deficiência auditiva: - ligeira

                                     - média

                                     - severa

                               - total

Uma deficiência total ou severa é facilmente diagnosticada. Uma deficiência ligeira às vezes passa despercebida durante anos e anos.

 

Causas afectivas:

1.    A criança pode não falar por desmotivação, porque não precisa e só utiliza a linguagem gestual. È importante falar com a criança desde sempre, senão não chega a haver interesse.

2.    Superprotecção: antes de precisar de alguma coisa, já tem.

3.    Bloqueio: pode haver um trauma, e ela deixar de falar.

 

1 e 2 – atraso simples de linguagem, fácil de ultrapassar.


Causas intelectuais:

 

Text Box: Atraso intelectual:

 

A educadora tem um papel importante porque lhe compete estimular a linguagem.

Atitude da educadora:

o       Solicitar discretamente

o       Estimular

o       Não pôr a criança em evidência

o       Respostas simples ou repetições simples

o       Estimular lengas-lengas e canções

Text Box: Dislálias:
 

 

 


Normais até aos 4 anos, depois diminuem lentamente, aos 5 anos não devem existir.

Atitude da educadora:

o       Pedir que a criança repita a palavra

o       Insistir no máximo duas vezes

o       Se a resposta for positiva, deve-se elogiar

o       Se a resposta for negativa, repetir porque a última palavra a ser dita deve ser correcta para ficarem com a linguagem sonora correcta.

 

Text Box: Gaguez:
 

 

 


São alterações do ritmo da linguagem. São mais frequentes nos homens.

Tipos: - tónica (a palavra fica presa)

           - clónica (repetição)

           - tónica-clónica ou clónica-tónica (associação das duas)

 

É frequente a criança entre os 3, 4, 5 anos começar a gaguejar. Na maior parte dos casos não é uma gaguez patológica, faz parte do processo evolutivo, chama-se gaguez fisiológica, e a sua existência explica-se: a criança, devido à explusão brusca de vocabulário, vai pensar mais depressa do que consegue falar. A tendência é passar espontaneamente se o meio em que a criança se encontra não tiver uma acção nociva. A gaguez fisiológica não é uma patologia.

Patogénico – meio gerador de doença.

 

 

Causas da gaguez:

 

è Hereditariedade:

- os pais gaguejam na altura em que as crianças começam a aprender a falar (imitação).

- pais que foram gagos e que deixaram de ser. Aqui há a hipótese de hereditariedade.


è Imitação:

- a criança pode ter um modelo em casa, ou um familiar muito próximo.

 

è Gaguez situacional:

- a pessoa não gagueja habitualmente, mas em situações de stresse começa a gaguejar.

 

è Relação pensamento/linguagem:

- pensa mais depressa do que consegue falar.

 

è Patologia de relação:

-  a gaguez surge quando a criança ou o adulto estabelece novas relações com o meio: quando entra para o jardim infantil, mudanças de ciclo…

 

è Perturbações da orientação espacio-temporal

 

è Perturbações motoras:

- deficiente lateralização, canhotismo contrariado…

 

Uma tensão emocional constante encontra-se em todas as causas, são pessoas nervosas.

 

No ambiente destas crianças, habitualmente encontramos 2 tipos de pais:

ansiosos, hiperprotectores

exigentes, dominadores, autoritários

 

 

Prevenção:

 

ð bom ambiente familiar

ð boa relação com os pais

ð existência do modelo correcto

 

 

Atitude da educadora:

 

ø ambiente calmo

ø estimular a autonomia e independência

ø estimular relações com outras crianças

ø assegurar a colaboração do meio

ø não criticar

ø não interromper

ø não apressar

ø não ridicularizar

ø preparar a criança quando tenha de enfrentar situações difíceis

 

A educadora não deve pedir para repetir, mas deve corrigir apresentando a frase correcta.

 

Uma gaguez transitória é susceptível de se manter com a reacção emocional, pode passar de transotória a definitiva.

 

Terapia:

 

F Reeducação ontofónica

F Psicoterapia

F Reeducação psicomotora

 

 

Text Box: Carência materna:

 

 

É a ausência e cuidados maternos. Pode haver carência materna na presença da mãe (não lhe dá cuidados, maltrata-a…). Pode ser temporária ou definitiva.

 

Causas:

 

³ Separação criança ↔Mãe

³ Ausência da mãe

³ Separação

³ Divórcio

³ Abandono…

 

Tambem pode haver carência materna quando a mãe não desempenha as suas funções.

Há medida que passamos dos 0 meses aos 9, ela vai conhecendo a mãe.

A criança, para se desenvolver plenamente, precisa dos cuidados da mãe, físicos e psicológicos.

Se há uma carência materna, a carência que resulta será tanto mais grave quanto mais nova for a criança. Quanto mais velha for, menos necessidade tem da mãe.

 

Parametros fundamentais para avaliar a carência:

 

1.            Idade da criança: quanto mais jovem a criança for, mais grave é, mais carências ela tem.

2.            Se a mãe biológica não exercer as suas funções de mãe, deve haver uma mãe substituta, mas não deve ser uma substituição materna de má qualidade. Se a substituição for correcta, diminui a gravidade da carência. A substituição será tanto mais fácil quanto mais nova for a criança.

3.            Tempo que dura a separação, quanto mais duradoura for a separação materna, mais graves são as carências. O tempo é uma coisa estranha para a criança. Se dissermos “A mãe volta daqui a uma semana”, ela no dia seguinte acorda e pergunta “Já passou uma semana?”


Para uma criança o tempo é algo incompreensível, se uma separação puder ser planeada, não deve ser antes dos 5 anos. Ex: se os pais tiverem os dois de se ausentar para outro país.

 

Quando há uma separação, a criança deve ficar com uma pessoa a quem esteja muito ligada, pode ser familiar, ou ama…

Por outro lado, se há uma separação, o ideal será a criança permanecer em casa. Os avós ou a tia devem ir para casa dela, porque ela fica no ambiente dela. Uma criança com menos de 5 anos pode pensar várias coisas: se vai para outra casa ela pensa “Os meus pais não sabem onde eu estou…”, “Eu estou aqui e os maus pais estão em casa….”

 

Æ Uma situação que pode ocasionar uma privação de cuidados maternos, é a hospitalização da criança. Devemos tentar, de todas as maneiras, que a privação não seja total, de modo a que a criança se recinta o menos possível. As consequências desse abandono vão-se reflectir na criança tanto mais grave quanto mais nova for a criança.

Os bebés têm comportamentos de regressão, a criança pode entrar numa espécie de alheamento que se chama marasmo: está deitada, choraminga… Isto conduz a uma depressão anaclítica.

Se esta situação se prolonga, até 6 meses, há danos que já não podem ser recuperáveis (crianças entre 1 e 2 anos). Ex: já falava, deixou de falar…

Depois volta a mãe, mas a recuperação pode não ser total, pode haver funções que não recupera a 100%.

Há situações em que a criança pode morrer.

 

A criança que é separada da mãe (hospitalização, instituições) vai atravessar 3 fases:

1ª fase: fase de protesto:

- a criança chora compulsivamente, reclama a presença da mãe, como se ela pensasse que, pelo facto de estar a chorar, a mãe volta. Esta fase dá lugar à 2ª fase.

2ª fase: fase de desespero:

- ela continua a chorar, mas de uma maneira desesperada. Já não pensa que a mãe volta, sente que foi abandonada, não quer ser consolada.

3ª fase: fase da resignação:

- ela, aparentemente, está conformada, parece ter aceitado, mas está deprimida, está profundamente afundada, desistiu.

 

Podem haver fenómenos de regressão, alterações de comportamento, perturbações do sono, do apetite.

 

Hospitalismo – consequências psicológicas da hospitalização.

 

Na criança maltratada, mesmo sendo mais velha, há uma melhor aceitação de uma mãe substituta.