Arno
Stern (pedagogo):
Artista plástico
francês que dedicou a vida de artista a ensinar crianças.
Ele considerava que nem todos os artistas tinham
vocação para ensinar expressão plástica. Não estudou arte, mas ensinava porque
achava que tinha vocação para ensinar.
Artista →
pessoa sensível, criativa, instável, não se consegue inserir na sociedade.
Ele ensinava dos 3
aos 60 anos.
Ele não dava aulas
em nenhuma escola, mas sim num atelier, que é muito diferente de uma escola: há
condições especificas que uma escola não tem: os alunos eram em menor número, o
espaço era adaptado para a expressão plástica. As mesas eram godés, existem
placardes nas paredes e são obrigados a pintar na vertical. As tintas dão uma
maior liberdade de expansão.
Arno Stern diz
vários princípios que vão influenciar o Eurico
Gonçalves.
Eurico é mesmo
artista, faz exposições, e ao mesmo tempo dá aulas. Tem a personalidade um
pouco agressiva. Também dá aulas num atelier e por isso é um pouco criticado
pelos outros pedagogos nas escolas, pois lá tem as condições ideais.
Arno Stern começa
por introduzir o que é a expressão infantil. Ele considera a expressão a tudo o
que tem a ver com o interior (sentimentos, alegria, felicidade, tristeza,
angústia). É uma forma de linguagem não verbal, porque a linguagem verbal está
associada a um lado racional. Vai demonstrar que as crianças têm necessidade de
desenhas para mostrarem o que são ou o que querem.
A arte serve como
uma terapia e como uma higiene porque os desenhos fazem com que a criança
transmita os seus desejos e os seus recalcamentos. Antisituação
é o que Arno Stern chama quando as crianças transmitem situações que não
gostam, como desgostos ou coisas que as crianças gostavam de fazer.
Da higiene, ele diz
que é fundamental as crianças fazerem todas as semanas duas horas de expressão
plástica. A arte é uma forma de educar a criança. A arte tem de ser livre. Sem liberdade não há expressão porque é um reflexo
interior de todas as emoções, desejos e sentimentos. Nós temos sempre mensagens
para transmitir. A criança está sempre a falar dela própria. Se não há
liberdade, a criança não pode expressar o que sente. Para além da liberdade,
tem de haver disciplina. A expressão
tem de ter constante exercício e uma certa orientação da vontade. Quanto mais
se desenhar, mais pintura e expressão plástica se fizer, mais se evolui.
Ele é conta o método tradicional. A expressão livre
é contra o método tradicional. Os adultos obrigavam as crianças a serem
mini-adultos, quanto mais próximo do real, mais estavam na perfeição. Mas elas
não tinham capacidade e ficavam frustradas porque não gostavam do desenho. Ele
vai dizer que é ao contrário: o adulto é que deve encontrar a crianças que tem
dentro dela própria. O adulto tem que ter uma postura e atitude muito cuidada.
Nunca se deve influenciar. Não se deve fazer um desenho e depois por ao lado
para eles copiarem. Ele diz que não se deve obrigar a criança a ser
influenciada, ao ponto de perder as características dela porque depois os
ritmos evolutivos são influenciados, têm saltos de evolução, a evolução é
“falsa”.
Ele diz que as
crianças têm ritmos diferentes da evolução, estes são influenciados com o meio
ambiente em que vivemos. A evolução do desenho para Arno, divide-se em 2
partes: a pré-figurativa e a figurativa. Eurico Gonçalves fala na mesma
coisa, mas por idades. Arno Stern não classifica por idades porque uma criança
pode ter 3 anos, mas estar numa fase mais avançada.
Pré-figurativa → 1ª fase ~ 18 meses
→ 2ª fase ~ 2, 2.5
anos
→ 3ª fase ~ 3, 3.5
anos
Figurativa → (A) 1ª fase – 4, 5 anos
→ (B) 2ª fase – 6, 7
anos
→ (C) 3ª fase – 7,8
anos
→ (D) 4ª fase – 9, 12
anos
Pré-figurativa:
1ª fase – A criança não quer exprimir nada.
2ª fase – A criança já tem maior control em relação ao
material. Já fez com densidades diferentes, alinha já é colocada de uma forma
mais controlada.
3ª fase – Control absoluto em termos de material. Faz
ziguezague, pintam com tintas, carimbagens, aglomerados, recortes, .....
Aprendem
a trabalhar com as mãos. (Barro, massa de pão). Têm percepção não só visual,
mas também física. Têm necessidade de dizer o que escrevem e o que fazem, mas
não quer dizer que seja verdade o que dizem.
Figurativa:
(A)1ª
fase – Faz a figura humana (casas, árvores), mas
continua associar a cor à afectividade. Quando deixam de pintar em relação à
afectividade, passam a desenhar com as cores em relação à realidade. Nesta
fase, a criança começa a fazer os “girinos” (primeira figura humana).
(B)
2ª fase – Começa por fazer o céu e a terra no
desenho, dão características humanas a seres inanimados (humanização). Os
tamanhos dos bonecos estão associados à afectividade (quanto mais gosta, maior
os faz).
(C)
3ª fase – Ocupa a folha toda de desenho porque
é tímida ou porque os professores disseram que a criança desenhava mal. A
partir desta idade, as crianças caracterizam mais os bonecos (totós, saltos
altos, ganchos, laços).
(D)
4ª fase – Faz linha de horizonte, superfície
vista de cima, preocupação de fazer o realismo.
Arno
Stern divide a criança em 2 situações: criança pequena e criança grande.
A criança pequena é até aos 3, 4 anos, corresponde à fase pré-figurativa. A
criança grande é dos 5 aos 12 anos, e corresponde à fase figurativa.
Ele
estuda a criança grande e pequena em ritmos.
O ritmo da criança pequena:
A
criança pequena produz desenhos em grandes quantidades. A criança quer agradar
o adulto, quer receber elogios. Ela é totalmente desinibida. O processo a nível
do desenho tem uma evolução a nível ascendente, o ritmo dela é constante (tem a
ver com o facto de ser desinibida), no entanto a evolução do desenho é lenta
(em termos de imagem é lento).
O ritmo da criança grande:
Faz
desenhos figurativos, logo, tem poder de autocrítica. Têm uma evolução
oscilante (o facto dela ter autocrítica regride, progride, regride... a
evolução é irregular). Ela é muito inibida e muito cautelosa no que faz. O
facto de ser muito cuidadosa, demora mais tempo a fazer os desenhos, o facto de
demorar mais tempo nota-se uma maior evolução no desenho.
O
facto da criança regredir, não quer dizer que vá para trás, pode ter a ver com
os sentimentos, mudança de técnica.
Instável e tímido (em
relação à criança grande):
Temos
de ajudar a criança instável a ser estável e a tímida a não ser tímida.
Os
progressos são mais notados pelo educador quando a criança é instável. O facto
da criança ser instável faz com que ela nunca acabe os desenhos, são pobres e
mal executados, as formas também estão mal executadas.
O
educador sente-se melhor realizado porque através de uma criança instável
conseguimos torná-la estável e é mais notório. Ela deve acabar o desenho até ao
fim, nunca deve rasgar nem deitar fora, nem virar a página. Estamos a denegrir
o desenho. Se ela não quer fazer o desenho nesse momento, guarda-se o desenho e
ela acaba-o depois.
Para
tentar acabar o desenho, ela vai pôr muitos pormenores, vai ficar com o desenho
muito rico (muitas formas, cores).
Na
criança tímida, ela não quer mostrar
o seu interior, tem falta de segurança. Tem uma folha grande e faz desenhos
muito pequenino. Para aumentar o desenho e muito complicado. Temos de ter uma
atitude de encorajamento, estimular a criança, dar-lhe autoconfiança, dizer que
o desenho é bonito.
Processo criativo:
Divide-se
em 2 partes (corresponde à fase figurativa):
→
1º corresponde à criança fazer um desenho com uma ideia preestabelecida.
Escolhe um tema e faz um desenho, ou mesmo um tema imposto pelo educador.
→
A 2ª corresponde à criança fazer um desenho ao acaso, apenas associado à
intuição, vai construindo conforme lhe apetece. Pode começar com uma cor .
Linguagem
plástica → signos
(“gramática”) →
símbolos
→ leis
Os
signos é como se fosse o alfabeto (o
que é?), é a parte conotativa da imagem, a casa é a casa, a árvore é a árvore,
cada imagem corresponde a ela própria. Normalmente considera-se signos os
sinais de trânsito. Olhamos e identificamos o que querem dizer.
Os
símbolos são as mesmas imagens (casa,
cão), mas o que elas representam (porquê?). A imagem que temos para frente pode
representar o inconsciente. Tem a ver, por exemplo, com o tamanho da casa.
Significa que uma imagem pode ter uma mensagem por trás (como a cruz de
Cristo).
As
leis têm a ver com o facto de como as
crianças fazem os desenhos. (fase figurativa). A primeira podemos considerar o ideografismo,
é a representação das formas À sua redução mais simples. Todos os desenhos das
crianças, desde a 1ª fase até aos 12, é sempre ideográfico porque representa
mais o que ela sabe do que o que vê. O adulto desenha o que vê e não o que
sabe. Não está preocupada com o visual, mas sim com o intelectual.
Outra
lei é perspectiva afectiva. As
crianças aumentam o tamanho do desenho conforme a afectividade que as crianças
têm perante as imagens. Se gosta muito da mãe, desenha a mãe muito grande.
Chagall (pintos russo cubista) teve a ideia de fazer várias perspectivas de
memória na mesma folha.
Outra
lei é o rebatimento, corresponde a
colocar no mesmo desenho várias perspectivas diferentes da visão. A criança
rebate 90º para a folha. Exemplo: casa de frente e carros de lado.
Outra
lei é a transparência, é fazer o
interior das imagens.
Outra
a humanização, que é dar
características humanas a seres inanimados.
A
última chama-se espaço topológico, é
a forma como as crianças reúnem todas as outras leis. Fazem desenhos
bidimensionais.
Interpretação e análise do
desenho pré-figurativo e figurativo:
No
pré-figurativo temos de analisar as manchas de cor, a sobreposição
dessas manchas, o tamanho, as linhas, a densidade das manchas, a cor e a
maneira como preenchem a folha (se enchem tudo, se deixam espaço vazio...)
Na
figurativa, para além de se analisar
tudo o descrito acima, analisamos também os tamanhos da figura (perspectiva
afectiva), analisa-se os signos, os símbolos e as leis. Depois a evolução (como
preenchem a folha, as cores...)
Outro aspecto que Arno Stern fala, são as técnicas. Ele diz que o educador nunca deve ensinar pela teoria, mas sim pela prática. Através dos próprios erros, ela vai aprender. Na criança ensina-se primeiro a prática e depois a teoria. Ex: quando se pinta na horizontal, a tinta escorre, e ela pergunta ao professor porquê. Mas ele não responde. Tem a ver com a quantidade de água. Ela tem de saber por experiência própria que a tinta com muita água, escorre.